[DESAFIO LITERÁRIO FEVEREIRO] A Metamorfose, de Franz Kafka - Opinião

fevereiro 26, 2013

The Metamorphosis

Título: The Metamorphosis
Título Original: Die Verwandlung
Autor: Franz Kafka
Editora: Bantam Classics
Ano de Publicação: 1972
Número de Páginas: 201


A Metamorfose começa com o pobre Gregor Samsa que acorda transformado num insecto monstruoso, que mal se consegue levantar da cama. Tal transformação manteve Gregor mais tempo a na cama do que seria expectável, facto que alarmou toda a família: a mãe, uma velha senhora asmática; o pai, um homem que há cinco anos sem trabalhar, tinha engordado um pouco; e a irmã, de dezassete anos, cuja maior paixão era tocar violino. Curiosamente, Gregor apenas observa os seus novos membros sem lhes dispensar muita atenção: observa-os sem choque, apenas pensando na praticidade, ou não, dos mesmos. Ao invés pensa na má sorte que tem no emprego, sendo a única fonte de sustento da casa; má sorte que o leva a ser caixeiro-viajante num emprego cheio de provações, com um chefe pouco amistoso. Tudo isto enquanto tenta, em vão, levantar-se da cama, numa guerra interior entre o conseguir sair da cama e fazer algo em relação à situação, ou ficar deitado a ponderá-la.
Ao longo da história, vemos como esta metamorfose afecta Gregor e a sua família, que vão passar por situações de medo, desespero, nojo, desprezo, metamorfoseando-de a si mesmos e aos seus sentimentos para com Gregor e o futuro... No final triste apercebemo-nos de que Gregor não passava da fonte de sustento dos Samsa, sendo a família um parasita do jovem, situação contrária ao que se começou a passar após aquela manhã.
É um livro de leitura incrivelmente fácil, pequeno e com uma escrita muito simples. Para além de que o que ele nos leva a pensar é de longe bem maior do que o seu tamanho. Portanto é urgente ler este livro; é urgente pensar na condição de todos os Gregors que conhecemos ou que somos, que estamos prestes a ser ou que ajudamos a tornarem-se. Numa sociedade cada vez mais dividida e complicada, é urgente uma metamorfose de pensamentos e acções.
Por momentos cheguei a considerar que Gregor não se transformara literalmente: que os pequenos membros anárquicos seriam apenas os seus dedos, os seus braços, as suas mãos. Que tudo não passava de uma metáfora cruelmente elaborada para mostrar a triste condição da dúvida, incerteza, e infelicidade humana, mostrada através de um homem preso dentro de si e preso na vida. Cheguei ao fim do livro ainda incerta, não conseguindo chegar a uma conclusão definitiva (que com certeza muitos críticos e entendidos já terão chegado): Gregor Samsa transformou-se mesmo num insecto monstruoso ou era, fruto de si ou dos outros, de facto um insecto monstruoso?


"At the same moment, however, he didn’t forget to remind himself from time to time of the fact that calm (indeed the calmest) reflection might be better than the most confused decisions."


Sendo A Metamorfose uma das obras mais conhecidas de Kafka, pela internet há numerosas adaptações, e é interessante ver todas, uma vez que este romance tem o condão de falar com cada leitor de uma maneira diferente, abrindo sempre espaço para interpretações curiosas.











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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.