quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

[Desafio Literário G] Oscar Wilde e os Crimes à Luz das Velas, de Gyles Brandreth - Opinião


Título: Oscar Wilde e os Crimes à Luz das Velas
Título original: Oscar Wilde and a Death of No Importance
Autor: Gyles Brandreth
Editora: Publicações Europa-América
Ano de Publicação: 2008
Páginas: 264

Oscar Wilde e os Crimes à Luz das Velas. Primeiro ponto, deveria ser "O Crime à Luz das Velas", mas este aspecto é secundário (se bem que relevante para a história, pois afinal de contas apenas existe um crime à luz das velas). Isto é o que vão pensar pouco antes de chegar ao fim do livro. A surpresa é grande e percebe-se então o uso do plural.
obs.: as minhas primeiras palavras sobre este livro possam ter sido um pouco enganadoras (o Jack Estripador não faz parte do livro, é apenas mencionado umas duas vezes).
Um policial como há poucos. Escrito do ponto de vista de Robert Sherard, fiel amigo e companheiro de Oscar Wilde, esta escrita incide imensamente na personagem de Oscar e o que este faz para resolver um crime no qual se vê envolvido e no qual a polícia pouco apoio dá. Inspirado pela criação do seu amigo Artur Conan Doyle, Oscar encarna a personagem de Sherlock Holmes e resolve, de facto, o crime. Bem nas últimas páginas. No entanto, o processo até lá não nos deixa adivinhar quem é o assassino. Aliás, as personagens presentes no livro são bastantes, e em algum ponto podem todas elas ser as culpadas. Não me lembrar da história foi sem dúvida importante neste aspecto, pois a descoberta do assassino e o móbil do crime foi uma autêntica surpresa.
O desenrolar do livro é muito agradável e muito bem escrito. Recheado com as palavras de Wilde e outros que tal, é um prazer de ler, de uma ponta à outra. Boa escrita aliada a mistério que se adensa a cada página que passa - quem é a rapariga de cara deformada?, quem é Drayton St. Leonard?, quem é o anão? - fazem deste livro uma obra intrincada, muito bem pensada e perfeitamente executada. O suspense final lembrou-me uma sinfonia: há um crescente de tensão o tempo todo, e durante uns instantes, mesmo antes de revelar o assassino, parece que está tudo em suspenso...

"(...) sabia que a sua única esperança seria matar O'Donnell e fingir que se tratara de um suicídio. Aproveitou a primeira oportunidade.
Oscar virou-se para a lareira para pegar no seu copo. No reflexo, à luz trémula das velas, os nossos olhares cruzaram-se. Ele era meu amigo mas, nesse momento, pareceu-me um estranho.
- Sr. Wilde -disse Archy Gilmour do outro lado da sala, - são sete horas."

... até que o apocalipse do crime desvendado se dá, a música soa mais forte que nunca, e lentamente tudo vai ao sítio, tudo deixa de soar...
Como pontos negativos não consigo apontar nenhum. Escrita, apresentação, raciocínio, desenrolar da história, personagens, meio ambiente... tudo é bom do início ao fim.

O autor, Gyles Brandreth, fez um minucioso trabalho de pesquisa, brilhantemente apresentado. De facto, Oscar Wilde e Sir Arthur Conan Doyle conheceram-se, assim como Robert Sherard foi um amigo querido de Oscar. O autor teve acesso a documentos, tais como correspondência, entre outros, que contribuíram imensamente para este livro, e presumo que o mesmo terá acontecido com os seguintes, os quais ainda não tive o prazer de os ler.

No final, gostei imenso do livro. Só o deverei reler daqui a muito, muito tempo, para poder esquecer o assassino. Quero as mesmas sensações que desta vez.

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