[DESAFIO LITERÁRIO H] H.P. Lovecraft - Herbert West: Reanimador - Opinião

fevereiro 22, 2013


Título: Herbert West: Reanimador
Título Original: Herbert West: Reanimator / Celephais / The Tree
Editora: Quasi Edições
Ano de Publicação: 2008
Número de Páginas: 92

H.P. Lovecraft. Toda a gente já ouviu falar deste génio da literatura do horror. Provavelmente, já viram algum filme de terror baseado em criações dele, ou algo deste género. Mas o que é que já leram dele?

Herbert West: Reanimador é um pequeno livro que, a juntar a este conto, tem ainda Celephais e A Oliveira. Pareceu-me uma boa ideia na minha exploração de Lovecraft. Sendo esta a minha primeira experiência lida deste autor, estava com grandes expectativas, construídas a partir de todo o mito cinematográfico, literário e musical que já tinha sobre Lovecraft.

Herbert West: Reanimador conta a história do doutor Herbert West, cuja essência da existência "(...) era uma demanda nos reinos escuros e proibidos do incógnito, cuja meta era desvendar o segredo da vida e restituir a animação perpétua ao barro frio do cemitério. Tal demanda exigia matéria-prima bizarra, como cadáveres humanos recentes; e para manter uma provisão desses géneros indispensáveis há que viver no sossego e não longe de um lugar de enterros anónimos." A história em si não aparenta ser nada demais, aliás, apenas uma reinvenção do clássico de Mary Shelley, Frankenstein. Mas com um modo mais grotesco. Mais violento. Mais... zombie-style.
O conto é divido em seis capítulos, e no inicio de cada um há um pequeno resumo de toda a história. Premissa que me pareceu aborrecida, e lendo o conto em pouco tempo, torna-se um pouco repetitivo, mas se virmos a edição original, esta foi publicada precisamente aos bocados. Um factor extremamente importante deste conto, é que é apresentada pela primeira vez a Universidade de Miskatonic, lugar comum nos universo de terror de Lovecraft e mais tarde de outros escritores.
Fazendo uma breve pesquisa, ficamos a saber que Lovecraft não ficou de todo contente com a escrita deste Reanimador: fazendo o serviço apenas pelo pagamento, o escritor não gostou que cada capítulo acabasse com um cliffhanger, algo fora do seu estilo, e não gostou de ter de fazer resumos no início de cada capítulo. O próprio escritor admite que Reanimador é uma paródia a Frankenstein. Este é mesmo considerado o trabalho mais pobre de Lovecraft. (informação adaptada daqui).
Esta última afirmação deixou-me bem mais descansada. É que realmente não achei o conto nada por aí além, o clima de suspense consegue ser criado minimamente, mas nada que me pareça digno da fama de Lovecraft.

Cephalais conta-nos a história de Kurane, um homem que viaja enquanto sonha, na busca constante da "(...) cidade maravilhosa de Cephalais e as suas galeras que rumavam ao céu". Esta sua viagem torna-se cada vez mais constante e desesperada, levando Kurane a uma espiral cada vez mais perigosa na demanda por Cephelais. O fim da história é quase poético, o modo como tudo culmina e se combina.

A Oliveira é a história de dois amigos, Kalos e Musides, escultores. "(...) a excelência do seu trabalho era louvada, e ninguém ousava dizer que um excedia o outro em talento". Eram duas pessoas diferentes, mas os melhores amigos. Uma estátua é encomendada a cada um, e a história acaba de uma maneira trágica. Engana-se quem pense que nesta história vai encontrar elementos de terror lovecraftianos; A Oliveira é mais profunda, emocionalmente, e apela a outros sentimentos que apenas adrenalina.

Penso que estava à espera de algo mais assustador. Mas não é por isso que desisto deste escritor, de quem continuo imensamente curiosa. A escrita é bastante fluída e de certeza que a mente de Lovecraft reflectida nas palavras ainda me vai surpreender bastante. Venha o próximo!

Uma última nota, em relação à editora. Conhecia a Quasi há algum tempo, pois morei muitos anos em Famalicão, e apesar deste ter sido o primeiro livro que me lembro de ler desta editora, fiquei com muita pena quando soube do seu encerramento. São palavras poucas, mas sentidas, e espero sinceramente que quem perdeu este projecto esteja a fazer algo que goste agora!

Afinal ainda mais uma nota, acerca de Herbert West: Reanimador. Foi feito um filme, de 1985. O Soro Maléfico (Re-Animator) arrecadou quatro prémios (entre elas o de Melhor Filme, no Fantafestival, em 86), e sem dúvida fica na minha lista para ver em breve. O trailer fica aqui para vossa informação, mas aviso desde já,

PODE CONTER IMAGENS CHOCANTES!



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2 comentários

  1. Onde encontro este livro? Já procurei em tudo que conheço de livraria no Brasil e não encontro, por acaso só o acharei em Portugal?

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  2. Olá!

    Muito sinceramente não faço a mínima ideia, já tentaste online?

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.