segunda-feira, 18 de março de 2013

Para Helena, de Edgar Allan Pöe


Hoje abri um livro ao calhas e nele vi um dos meus poemas favoritos de sempre, To Hellen, de Edgar Allan Pöe. Não me pude conter e revivi o poema, decidindo partilhar aqui no cantinho convosco. Espero que gostem!


Para Helena

        Vi-te uma vez, só uma, há vários anos, 
        já não sei dizer quantos, mas muitos.
        Era em Julho; passava a meia-noite
        e a lua, em ascensão, como tua alma,
        nos céus abria um rápido caminho.
        O luar caía, um véu de seda e prata,
        calma, tépida, embalador,
        em cheio, sobre as faces de mil rosas,
        que floresciam num jardim de fadas,
        onde até o vento andava de mansinho.
        Caía o luar nas faces dessas rosas,
        que morriam, sorrindo, no jardim
        pela tua presença enfeitiçado.

        Toda de branco, vi-te reclinada
        sobre violetas; e o luar caía
        sobre as faces das rosas, sobre a tua,
        voltada para os céus, ai! de tristeza!

        Não foi o Destino, nessa meia-noite,
        não foi o Destino (que é também Tristeza)
        que me levou a esse jardim, detendo-me
        com o incenso das rosas que dormiam?
        Nenhum rumor. O mundo silenciava.
        Só tu e eu (meu Deus! Como palpita
        o coração, juntando estas palavras!) ...
        Só tu e eu... Parei... Olhei...
        E logo todas as coisas se desvaneceram.
        (Lembra-te: era um jardim enfeitiçado.)

        Fugiu a luz de pérola da lua.
        Os canteiros, os meandros sinuosos,
        flores felizes, árvores aflitas,
        tudo se foi; o próprio odor das rosas
        morreu nos braços do ar que as adorava.

        Tudo expirara... Tu ficaste... Menos
        que tu: a luz divina nos teus olhos,
        a alma nos olhos para os céus voltados.
        Só isso eu vi durante horas inteiras,
        até que a lua fosse declinando.
        Ah! que histórias de amor se não gravavam
        nas celestes esferas cristalinas!
        que mágoas! Que sublimes esperanças!
        que mar de orgulho, calmo e silencioso!
        e que insondável aptidão de amar!

        Mas, afinal, Diana se sepulta
        num túmulo de nuvens tormentosas.
        Tu, como um elfo, entre árvores funéreas,
        deslizas, só teus olhos permanecem.
        Não quiseram fugir e não fugiram
        Iluminando a estrada solitária 
        de meu regresso, não me abandonaram
        como fizeram minhas esperanças.

        E ainda hoje me seguem, dia a dia.
        São meus servos – mas eu sou seu escravo.
        Seu dever é luzir em meu caminho; 
        meu dever é salvar-me por seu brilho,
        purificar-me em sua chama eléctrica,
        santificar-me no seu fogo elíseo.
        Dão-me à alma Beleza (que é Esperança).
        Astros do céu, ante eles me ajoelho
        nas noites de vigília silenciosa;
        e ainda os fito em pleno meio-dia,
        duas Estrelas-d'Alva, cintilantes,
        que sol algum jamais extinguirá.

tradução retirada e adaptada daqui.

1 comentário :

  1. Olá,

    Um grande escritor que infelizmente ainda não tive a oportunidade de ler, mas um dia vai ;)

    Bjks

    ResponderEliminar

Obrigada por comentares :)