[Desafio Literário J] A Filha da Floresta, de Juliet Marillier - Opinião

abril 03, 2013

A Filha da Floresta  (Trilogia de Sevenwaters, #1)


Título: A Filha da Floresta
Título Original: Daughter of the Forest
Autora: Juliet Marillier
Editora: Bertrand Editora
Ano de Publicação: 2002
Número de Páginas: 448

É injusto escrever uma opinião acerca deste livro. Considerei não a fazer, de facto, mas sentia-me em dívida para com o blogue se não o fizesse. Não é fácil. Falar do livro que mudou a minha forma de ler e me devolveu à escrita. Falar do primeiro livro que me fez chorar enquanto o lia. Falar de um livro que marcou uma época muito querida da minha vida, que recordo saudosamente. Não é justo, nem devia ser feito. Mas vou tentar, e vou dar o meu melhor para fazer justiça ao livro. No entanto, não prometo que o consiga; temo não ser imparcial o suficiente, de modo a conseguir olhar o livro de longe.
A Filha da Floresta, volume um da Trilogia de Sevenwaters, conta-nos a história de Sorcha, sétima filha de um sétimo filho. Os seus irmãos, os seus seis irmãos, são o mundo da pequena personagem, até que uma maldição os separa e tudo depende de Sorcha para ser resolvido. Não querendo entrar em detalhes para não estragar a história, deixando deliberadamente aspectos mais ou menos conhecidos da sinopse por contar, esta é basicamente a história do livro. Mas estamos a falar de Juliet Marillier, que nos leva por uma viagem ao lado de Sorcha inesquecível.
Logo no início somos apresentados ao pequeno mundo de Sorcha, um mundo mágico e infantil, povoado pelos seus seis irmãos: Liam, Diarmid, os gémeos Cormack e Conor, Finbar e Padriac. Confusos? Não se preocupem. No final do livro vão conhecer tão bem os seus irmãos como a pequena Sorcha, cada um com diferentes traços de personalidade bem desenhados. O seu pai, Lord Colum, a sua personalidade difícil, seria talvez a única mancha negra no seu mundo, mas nem isso destrói a fantasia. É, apenas, um aparte.
Um acontecimento marca a perda da inocência de Sorcha, e a partir deste ponto o seu destino começa a ganhar forma, e somos levados numa aventura trágica, soberbamente narrada. O caminho de Sorcha leva-a a duvidar da justiça do mundo que conhecia, a experimentar o terror puro, a coragem, a determinação, a dúvida. Mas também a leva a conhecer o amor, a amizade, a fé, onde menos esperaria.
Damos por nós a sentir por Sorcha um carinho tremendo, a torcer para que tudo corra bem. Se fosse um filme, gritaríamos "Não vás por aí!" ou "Não faças isso!", mas sendo a palavra escrita, apenas devoramos e lemos sofregamente para conseguir perceber o que vai acontecer. Chegamos ao final do livro com uma sensação de tristeza ao abandonar Sevenwaters, mas também de esperança. Acordamos no nosso mundo, sonhando ainda com o mundo de Sorcha. É irremediável.
Não consigo ser imparcial e peço desculpa aos meus leitores por tão pobre opinião: tentei o meu melhor, mas nem assim consegui algo no mínimo distante.

"Ter-lhe-ia dito... ter-lhe-ia dito, não interessa se estás aqui ou ali, porque, para mim, estás sempre presente, a cada momento. Vejo-te na luz da água, no abanar das árvores jovens ao vento da Primavera. Vejo-te na sombra dos grandes carvalhos, ouço a tua voz no chamamento da coruja, à noite. Tu és o sangue nas minhas veias e no bater do meu coração. Tu és o meu primeiro pensamento, ao acordar e o meu último suspiro antes de adormecer. Tu és... tu és carne da minha carne, sangue do meu sangue."

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2 comentários

  1. Olá Nádia,

    Nada a lamentar é algo comum a muitos, um livro que nos marcou e que tentas não revelar muito do seu enredo.

    Há sempre sabedoria e palavras sábias por trás da magia da escrita da Juliet, de nos mostrar a importância das mulheres na época, entre muitas outras coisas, gostei de ler.

    É sempre bom divulgarmos os seus livros ;)

    Bjs

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.