domingo, 14 de abril de 2013

Os Inocentes, de David Baldacci - Opinião



Título: Os Inocentes
Título Original: The Innocent
Autor: David Baldacci
Editora: Clube do Autor
Ano de Publicação: 2012
Número de Páginas: 433

Não, hoje não acordei mal disposta. Este livro mereceu duas estrelas no Goodreads (apesar de eu não gostar de qualificar por estrelinhas) porque para mim é mesmo isso: it was ok.
Comecei a ler o livro e comecei a ver os sintomas clássicos de um policial carregado de clichés. Se não, reparem:
- a personagem principal é um assassino a soldo, de quarenta anos, cabelo curto, musculado. É um solitário e consegue ler as pessoas sem as conhecer.
- a femme fatale é uma rapariga jovem, loira, alta, bem constituída, que trabalha na Casa Branca.
- a agente do FBI interessa-se pelo assassino.
- a miúda que está em fuga é sobre-dotada mas os pais eram drogados e apesar de a amarem muito ela passa a vida em casas de acolhimento, de onde foge constantemente.
- o primeiro morto é um mexicano, riquíssimo, líder de um quartel de droga.
- o segundo morto é um príncipe árabe, que tem um ódio visceral à cultura ocidental.
- regra geral, os capítulos acabam com frases curtas, tão importantes que cada uma tem o seu próprio parágrafo.
Portanto... já podem ver onde quero chegar. Eu não digo isto por ser um género literário que não aprecio muito; os fãs de policiais poderão dizer que nos livros de fantasia também são sempre a mesma coisa, um monte de elfos e anões a lutar contra orcs e trolls. Todos sabemos que isto não é verdade, mas também todos sabemos que a história do assassino-americano-no-meio-de-duas-mulheres-salva-vidas-de-repente-e-protege-a-abençoada-América já está mais do que batida. É cansativa.
E de repente, passadas cerca de 60 páginas, o livro abre-se perante nós com outro olhar, com outro cheiro, com outros apelos. A história começa a complicar-se, somos apresentados a um quebra-cabeças que se vai tornando cada vez mais complicado à medida que se sabe novos detalhes. Desenvolve-se perante nós uma história complexa, que nos faz esquecer os déjà-vus sentidos no início - e, de um momento para o outro, já estamos tão embrenhados na leitura que nem nos lembramos desses déjà-vus!
Uma teia de personagens começa a ganhar vida, e um fio liga-os a todos, mas esse fio está constantemente em construção e por mais que tentemos, não conseguimos chegar a nenhuma conclusão. Ao mesmo tempo vemos as personagens a tornarem-se mais humanas: o assassino a soldo tem sentimos, a femme fatale e a durona agente do FBI também, a miúda endurecida pelas ruas idem idem aspas aspas. Todos têm sentimentos e já nos conseguimos relacionar com as personagens, sentindo que elas são mais do que letras impressas. E já nem as frases importantes nos finais dos capítulos nos incomodam. Estamos sôfregos para saber afinal quem desenhou todo o puzzle e lemos essas frases de um só golpe, sem vírgulas, sem pontos finais, sem parágrafos.
Então, qual o porquê de it was ok? Porque depois, sem esperarmos, levamos com um balde de água fria. Depois de um desenvolvimento surpreendente, o final é previsível: o traidor é alguém que se desconfia desde o início, a motivação por trás de cada acção a esperada. Depois de um meio promissor, somos atirados ao um fim como quem nos atira para o meio de uma jaula de leões: toda a tensão acumulada naquelas páginas repletas de acção e suspense acabam assim, sem mais nem menos. Que desilusão.

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