domingo, 26 de maio de 2013

A Regra de Quatro, de Ian Caldwell e Dustin Thomason - Opinião

A Regra De Quatro
Título: A Regra de Quatro
Título Original: The Rule of Four
Autores: Ian Caldwell e Dustin Thomason
Editora: Editorial Presença
Ano de Publicação: 2004
Número de Páginas: 354
Sinopse

(book trailer não oficial)

Um texto do século XV escrito em várias línguas por um padre romano no ano de 1499, ainda hoje por decifrar... Contem comigo! Claro que mal vi este livro, tinha de o ler. Não sabia, porém, o que nesta história seria verdade ou não, mas mesmo assim aventurei-me. Um estilo Dan Brown mas tudo à volta de um livro... Lembrou-me O Segredo de Shakespeare, que adorei, e tinha grandes expectativas em relação a esta Regra de Quatro.

Esta foi uma leitura que se revelou muito difícil, pois desvendar a Hypnerotomachia Poliphili ficou quase para segundo plano. Enquanto eu estava à espera de desenvolvimento deste tema, o livro trocou-me as voltas e centra-se demasiado na personagem Tom e nos seus três amigos, Paul, Gil e Charlie, assim como na namorada de Tom, Katie, e ainda no seu pai. As suas relações são estudadas e aprofundadas ao máximo, deixando o livro secular quase esquecido. Depois, perto do final, somos bombardeados com três ou quatro capítulos em que se consegue desvendar os segredos do Hypnerotomachia, tudo de um só fôlego. E eu não estava a gostar nada. Foi tudo tão repentino, tão rápido, tão pobre.
Mesmo nas páginas finais, a minha opinião sobre este livro mudou. Percebi que muito provavelmente a sinopse está terrivelmente errada. A Regra de Quatro não é sobre um livro, mas sim sobre as relações de Tom e dos seus amigos, enquanto estudantes, enquanto amigos, enquanto jovens adultos que estão prestes a sair da universidade e a entrar no "mundo real", e todas as escolhas que daqui saem. Somos constantemente postos à prova nestas relações, conseguindo identificar-nos facilmente com um ou mais dos quatro amigos, partilhar dos seus sentimentos, e enquanto leitores conseguimos distanciar-nos o suficiente para desconfiar das suas acções mas a parte emocional que se interligou com os personagens não o aceita. É uma relação estranha que se forma entre nós e personagens. Ou então percebi mal o livro: mas se realmente é acerca da Hypnerotomachia, então está muito mal escrito, pois a obra ocupa um lugar secundário: justifica a acção de alguns personagens, mas nada muito marcante.
O final do livro, à luz desta minha recente conclusão, foi muito especial: junta o mistério da Hypnerotomachia com uma esperança final de sobrevivência na relação dos ex-estudantes. Gostei muito deste final, acaba de uma maneira muito elegante e sobretudo é uma lufada de ar fresco, depois de tantas voltas e reviravoltas, ali está o final (sim, esta frase pode ser demasiado óbvia, mas se me tentar explicar melhor, corro o risco de ser spoiler).

A parte histórica e verídica deste livro é tremendamente interessante. A Hypnerotomachia Poliphili ainda hoje existe e ainda hoje é um mistério, o que dá uns pontos aos autores deste thriller por conseguirem inventar soluções para os vários enigmas que a Hypnerotomachia tem.
O facto de ser escrito por dois autores poderá ter a ver com a maneira errática como a história se desenvolve? Não sei. Mas pelo menos, embora maçudo e com falhas, é uma escrita coerente. Não faço a mínima ideia de como foi escrito, mas pensar em mim a escrever com outra pessoa, mesmo que fosse a minha melhor amiga, é algo difícil de aceitar.

Concluindo, não recomendo este livro a toda a gente. Leiam primeiro a história verdadeira da Hypnerotomachia e depois decidam se querem na mesma ler uma solução fantasiada da mesma. Se sim, tenham em conta que este livro se centra muito no lado emocional e psicológico das suas personagens. E se assim, depois destes pressupostos, ainda quiserem ler, então aventurem-se: pelo final vale a pena e, se eu soubesse que o livro não era propriamente sobre um outro livro mas sim sobre as personagens, provavelmente tinha começado a gostar do livro bem mais cedo.

Enquanto lia este livro vi um vídeo com ilustrações da Hypnerotomachia Poliphili que gostava de vos mostrar, mas a conta entretanto foi encerrada. Deixo-vos então aqui dois vídeos: um em que é apresentada uma cópia do manuscrito, e o outro com uma entrevista aos dois autores.

video


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