Desafio 30 Dias, 30 Cartas - Dia 1 - Carta para o teu Melhor Amigo

maio 01, 2013


Quarta-feira, 1 de Maio

Querido melhor amigo

Está tudo bem contigo? Que novidades contas? ... Eu sei, eu estou a ser estúpido. Claro que já sei as respostas às minhas próprias questões. É um simples desaparece da minha vista ou algo mais grosseiro. É ou não é?
Não imaginas o quanto eu me sinto mal com toda esta situação. Mas eu acho que tu ainda não percebeste bem o que se passou. Eu vou-te contar tudo porque tu, meu querido melhor amigo, mereces isso.

Então, o Leonardo e o Óscar vieram falar comigo para ver se eu alinhava naquela cena, e mais tarde falaram contigo. Combinamos ir os quatro e planeamos tudo tão bem, até ao mais ínfimo pormenor, para não nos falhar nada. Azar dos azares, meu. Não contamos que a mulher se fosse virar a nós. Num segundo eu tinha-lhe dado um tiro, e no segundo a seguir tu tiraste-me a arma das mãos. Depois, foi o caos, a polícia, a fuga, os vidros partidos, as prateleiras derrubadas, os berros nossos, da polícia, caramba, acho que até a cidade berrava connosco! Quando olhei para trás não te vi, só o Leo, o Óscar e eu. Pensei que tivesses virado noutra rua, nunca pensei que tinhas levado um tiro na perna e que tivesses ficado à mercê da bófia. Eu sei que tu me viste no julgamento; o Leo e o Óscar não foram, com medo de serem reconhecidos. Otários, então levamos máscaras para quê? Vi-te a ser julgado e condenado por roubo e homicídio  e levaste com a bala - literalmente, meu! - por mim. Eu quis voltar para trás, naquela noite. Só que o Leo quase me batia, se arriscasse a nossa pele. Não o pude mesmo fazer.

Pensa positivo: daqui a meia dúzia de anos já estás cá fora e, quem sabe, te queiras encontrar comigo. Eu gostaria imenso disso... até porque quando nos apresentou, o Oscar usou nome de código para ambos, vá-se lá saber porquê! Eu sou o Eduardo, já agora. Juro-te, aquele assalto tornou-te o meu melhor amigo. Posso não saber o teu nome, mas, meu querido melhor amigo, graças a ti estou cá fora. Desculpa lá qualquer coisinha.

Um abraço deste que te preza muito!


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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.