Desafio 30 Dias, 30 Cartas - Dia 16 - Carta para Alguém que não está na tua Cidade ou País

maio 18, 2013


Quinta-feira, 16 de Maio

Querida Emília

Depois de um período ritmado pelo silêncio das nossas palavras, escrevo-te agora na busca de um porto onde possa ancorar a minha tristeza. És a única pessoa que me resta e, tal como um barco, teria de viajar para chegar até ti; esta carta terá de chegar.
Coisas horríveis têm-se passado à minha volta. Neste momento nada mais há a perder e mais vale ser sincera contigo: eu não amava o Germano, e há uns tempos que estava com outro homem às escondidas, Rodrigo. Mas o meu pai descobriu e tentou que alguém matasse Rodrigo, então meu pai e Germano acabaram ambos mortos. A mamã está inconsolável. Eu, já não sei que mais posso fazer. Afastei-me de Rodrigo, mas afastei-me de todos. Ou serão os outros que me afastam, de tão miserável eu estou?
Este escândalo que te contei tem ainda vários detalhes que omiti, mas que penso não servirem para nada senão preocuparem-te ainda mais. Apenas preciso de um tempo ancorada longe, para poder voltar e ver tudo com novos olhos.

E tu, querida amiga, como estás nesse país de estrangeiros? Aceitaram-te bem? E houve algum problema com a língua? Conta-me tudo o que se passa nessas terras longes.

Afectuosamente,
Vitória

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.