Desafio 30 Dias, 30 Cartas - Dia 2 - Carta para a tua Paixão

maio 02, 2013



Quinta-feira, 2 de Maio

Minha paixão

Morro de saudades tuas. A última vez que nos encontramos foi fantástica, e, desde então, de cada vez que acordo sinto este formigueiro na alma a que chamam saudade. Fico deitado a reviver todos os momentos da última vez, a saboreá-los dentro de mim.

O local que escolheste para o nosso encontro não podia ter sido melhor. O piquenique que fizemos, enquanto levávamos comida à boca um do outro quais crianças embevecidas, gulosas por mais. A escapadela para o meio das árvores escuras e frias, mas que nos proporcionaram uns minutos de adrenalina e prazer - vibro com a recordação e só me apetece voltar a ter-te nos meus braços, aninhada contra mim, enquanto segredamos palavras próprias e impróprias.
Não sei quanto tempo teremos de ficar afastados, mas sofro só de pensar em tal. Cada fibra do meu corpo desperta com a tua imagem, para logo de seguida se revolver, revoltada com a distância.

Não é justo. Não é justo eu ter sido preso na vez do outro gajo, quando não fiz nada. Mas algo na altura me impediu de falar. Talvez eu estivesse cansado de viver neste constante esconde-esconde (o que me lembra, por favor paixão da minha vida, tem cuidado com esta carta, para o teu marido não a descobrir) e precisasse de uma pausa. Não, não estou cansado de ti, claro que não, mas penso que uma pausa nos fará bem - dá-nos o tempo necessário para resolveres as coisas aí com esse mostrengo. Não sei quais são os horários de visitas na prisão, mas espero sinceramente ver-te em breve. Apesar de tudo, és a minha paixão e é por ti que vim aqui parar, para te dar o espaço para fazeres as coisas casualmente.

Não te esqueças de mim.
O teu

Rodrigo

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.