quinta-feira, 30 de maio de 2013

Desafio 30 Dias, 30 Cartas - Dia 29 - Carta para a Pessoa a quem queres contar tudo, mas tens medo de o fazer


Quarta-feira, 29 de Maio

Irmão Edgar,

Penso que chegou o momento de contar a minha história. Guardei-a durante todos estes anos que passei na prisão e amanhã, em que finalmente vou ser um homem livre de novo, poderei esquecer tudo. Mas, primeiro, gostaria de contar todos os segredos carregados por cinco almas que silenciosamente os aguentam. Espero sinceramente que o Irmão veja estas revelações como uma confissão e, passados todos estes anos, nada faça a não ser absolver-nos.

Certamente se recordará do assalto à mão armada que me meteu na prisão. Irmão, eu não matei ninguém. Quem matou foi o Eduardo, mas eu, num momento irreflectido, mal ele deu o tiro arranquei-lhe a arma das mãos e, quando fugi, pensei que não valeria a pena. Já fugia há muito e, se bem que não pensasse ficar cá dentro tanto tempo, era o melhor para todos eu ficar longe uns tempos. Pergunta-se porquê, Irmão? Estava apaixonado por uma mulher casada. Vitoria H... O pai dela, Filipe, descobriu e pagou ao guarda Artur para me matar, mas o guarda Artur contou-me e eu, juntamente com o Eduardo, fiz um plano para me salvar. Já pensava há imenso tempo tirar Germano de toda a história, para que Vitoria fosse livre para me amar, aos olhos da sociedade. Então o plano assim ficou traçado: Eduardo fingiu-se admirador de Germano e quando teve a oportunidade, matou-o. Mas Filipe também lá estava. E aconteceu, morreu também. Com o tempo Vitória acabou por me perdoar, e iremos casar muito brevemente. Eduardo será o nosso padrinho - é uma ironia, esta vida. O homem que me pôs cá dentro é o padrinho do meu casamento. As voltas que a vida dá, Irmão! Denise, a mãe de Vitória, faleceu entretanto, e o guarda Artur saiu do país, para nunca mais voltar. Eduardo quis contar a verdade à polícia, mas eu não o deixei. Portanto, somos nós os cinco que sabemos desta história e, agora, o Irmão Edgar.

Conto-lhe esta história para ter a certeza que, um dia que parta, as minhas contas estão pagas. E também porque, se bem me recordo, o Irmão tem sensivelmente a minha idade, e antes de ser Irmão era um homem como eu, e poderá perceber muito bem os actos de paixão. Peço-lhe então, Irmão, que me perdoe.

Atenciosamente,
Rodrigo

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