Desafio 30 Dias, 30 Cartas - Dia 3 - Carta para os teus Pais

maio 01, 2013



Sexta-feira, 3 de Maio

Querida Mãezinha,

Espero que esta carta a encontre bem. Por favor, não a mostre ao papá, pois tenho de confessar alguns segredos e não quero que o papá saiba para já. Quero dizer, nem para já, nem nunca. Jure-me, mamã. Jure-me que manterá segredo do papá.

Estou apaixonada, mamã. É verdade! Mas não é pelo meu marido. Aliás, este escroque que o papá me arranjou não serve para marido, nem para pessoa, nem nada que se lhe pareça. É tão patético, que chego a ter pena dele. A mamã sabe tão bem como eu, que nunca gostei dele. O papá deixou-se deslumbrar pelo dinheiro e bens, mas... esqueceu-se que eu também deveria ter voto na matéria.

Portanto, mamã, decidi ser feliz à minha maneira. Há uns meses que ando a ver um homem, chamado Rodrigo, e tenho sido infinitamente feliz. Penso que o pobre desgraçado aqui em casa deve desconfiar de alguma coisa, pois nunca andei tão feliz como ultimamente, e ele coitado, nem pode fazer nada. Mas voltando ao Rodrigo, ele faz-me sentir coisas que eu nem cuidava existirem. Sinto-me tão diferente quando estou com ele! E tenho a certeza que ele sente o mesmo.

O problema, é que o Rodrigo está preso mamã. E antes de começar a ter os seus ataques característicos, ele está preso em vez de um outro homem que esteve envolvido na confusão. Ele não fez nada, mas foi o único que foi apanhado. Honradamente, ficou com as culpas. É para a mamã ver, não é qualquer um que fica com as culpas de outros, ainda por cima quando isso envolve prisão. Por favor mamã, ajude-me. De certeza que há-de conhecer alguém que me possa ajudar a sair deste problema. E pelo amor de Deus, mantenha esta carta longe da vista do papá.

Como foram as vossas férias a bordo do cruzeiro? Enjoaram muito? Quem conheceram? Viram alguém reconhecido? Contem-me tudo, pois preciso de algo com que ocupar os meus dias.

A vossa filha que muitos vos ama,
Vitória

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.