sábado, 11 de maio de 2013

[Desafio Literário L] A Morte de Ivan Ilitch, de Lev Tolstoi - Opinião

A Morte de Ivan Ilitch

Título: A Morte de Ivan Ilitch
Título Original: Смерть Ивана Ильича
Autor: Lev Tolstoi
Editora: Quasi
Ano de Publicação: 2008
Número de Páginas: 91


Curiosa há imenso tempo em conhecer este aclamado génio da Literatura, decidi estrear-me com um livro mais pequeno e do qual, até ao momento de compra, nunca tinha ouvido falar. Já o tinha na prateleira há quase dois anos e agora arrependo-me de não o ter lido mais cedo. Não ouvi comentários muito bons ao livro mas, agora que o acabei de ler, recomendo-o vivamente a toda e qualquer pessoa.

Como não conhecia a história de vida de Tolstoi, fiz uma pequena pesquisa e fiquei embevecida ao ver o seu percurso. Estou a fazer este pequeno aparte pois enquanto lia senti que havia uma certa analogia com a vida do autor, e isso é importante para percebermos a história: não no seu sentido literário, mas no seu sentido do porquê. Saibam mais da vida do escritor Russo aqui.

O livro em si tem uma história muito simples: Ivan Ilitch morre. De início somos apresentados a personagens que vão ao seu funeral e que depois se esfumam. Tendo em conta que não há muitos spoilers acerca da história pois é, simplesmente, isto, irei analisá-la livremente, portanto fica já aqui o aviso. A Morte de Ivan Ilitch mostra-se como uma reflexão sobre a vida/morte humana, e dá-nos uma visão que não é inovadora mas é familiar, e com a qual nos podemos facilmente rever.

Ao longo da doença Ivan apercebe-se que, como doente, só causa incómodo aos outros, aos que lhe estão mais próximos, portanto passa quase a também ele ser um estorvo de si mesmo, para além de odiar o facto de estar doente, odeia-se a si mesmo por se encontrar nesta situação, sentido-me inclusivamente culpado por estar doente, pois não segue à risca as indicações dos vários médicos. Apercebe-se também das lealdades que as pessoas só quando enfrentam algo grave se apercebem, que é quem fica em momentos complicados da vida, tendo ficado apenas um criado [aqui pode ser percebida a tal analogia que falei mais acima, uma vez que o escritor também tinha uma vida de luxúria mas só encontrou a verdadeira felicidade ao lado dos camponeses, o lado mais simples da vida, tal como Ivan só conheceu o alívio e a esperança ao lado do seu criado camponês]. 
Penso que também em determinado ponto Ivan tenta dizer-nos que a maneira como os outros nos vêem e nos olham é opressiva, olham para nós com pena e assim sendo é mais complicado para o moribundo de aceitar o fim:

"Aquela mentira que reinava à sua volta e nele próprio era o que mais envenenava os últimos dias de Ivan Ilitch".

Com a evolução da doença Ivan começa a aperceber-se que talvez a sua vida não tinha sido tão feliz e/ou produtiva quanto este pensava, e que o único período verdadeiramente feliz tinha sido o da infância, que é onde não tomamos as nossas decisões, mas sim somos guiados por outros, e todas as fases da vida de Ivan que tinham sido comandadas por ele eram apenas aparentemente alegres.

"O médico dizia que os sofrimentos físicos de Ivan Ilitch eram terríveis, e falava verdade; mas os seus sofrimentos morais eram ainda mais horríveis do que as suas dores físicas, e eram eles que sobretudo o torturavam."

No fim, Ivan aprende um valor mais humano, ao perceber que um ser inocente como uma criança é a única pessoa que não fica insensível ao seu sofrimento. O seu próprio filho que, momentos antes da sua morte e no meio dos seus delírios, lhe pega na mão e começa a chorar, fazem lembrar a Ivan que há a humanidade, e decide perdoar os próximos pela mentira e pena que sentiram dele, podendo assim por fim morrer em paz.

Durante todo o livro e desenvolvimento psicológico de Ivan, sentimo-nos quase a mudar com ele, cometendo o mesmo erro da sua família ao sentir pena dele, e cometendo o mesmo erro de Ivan, consentindo em afastarmo-nos com ele qual animal ferido. A forma como Tolstoi nos descreve os últimos meses de um moribundo é fascinante, e leva-nos a colocar as coisas em perspectiva, pois nunca se sabe o amanhã...

2 comentários :

  1. Olá,

    Por acaso não me dei muito bem com escritores russos, mas reconheço que tem muita qualidade e gostei da forma como apresentaste o comentário ao livro, penso ser importante conhecermos um pouco a vida do escritor, ficamos com uma outra ideia e penso ser sem duvida uma mais valia.

    Quanto ao Tolsoy não li mas já vi vários comentários bem favoraveis maos seus livros e penso até que tenho oportunidade de ler livros seus.

    Parece-me um livro muito interessante e realmente a vida dá com cada volta que em certas situações é que se vê quem realmente é amigo e como a vida de campo pode ser uma vida muito mais feliz do que se viver no luxo.

    Bjs e boas leituras :)

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  2. Que eu tenha noção nunca tinha lido nada de um escritor Russo, e pelo menos com Tolstoi adorei a experiência. Fiquei mesmo com muita vontade de ler mais dele, e doutros tais!

    Este comentário deu-me um gozo imenso a escrever. Mesmo assim, depois de publicado, ainda tenho a sensação de que ficaram coisas por dizer, coisas a falar e a explorar... Mas já está publicado e já, agora pronto :)

    Beijinhos

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