quinta-feira, 9 de maio de 2013

Entrevista com o escritor Tiago V. Moita

Pela primeira vez aqui no Eu e o Bam temos uma entrevista, e a cobaia foi o Tiago V. Moita, que muito gentilmente acedeu a responder a algumas questões. Quem segue o blogue lembrar-se-á do Tiago Moita com o livro O Último Império, e sem mais demoras aqui fica a pequena entrevista!



- O AUTOR - 

1. Diz-nos quem é o Tiago Moita?


FOTO DO AUTOR DO BLOGUETiago Moita nasceu em Lisboa em Abril de 1975. Começou a dar os primeiros passos na poesia a partir dos quinze anos em São João da Madeira – cidade onde actualmente vive desde os dez anos de idade. Estudou Direito na Universidade Lusíada do Porto, onde publicou alguns dos muitos poemas e textos em prosa em 1998 no jornal da Universidade, do qual foi principal colunista durante três anos e foi membro do E.L.S.A (European Law Students Association) entre 1998 e 2001.
O seu gosto por terapias complementares e alternativas levou-a a especializar-se em terapias holísticas desde 2005, acabando por concluir o seu mestrado em Reiki em 2010.
Desde cedo, revelou uma enorme paixão em escrever. Algo que o levou a participar em workshops de declamação poética com Paulo Condessa e cursos de Escrita Criativa com Pedro Sena-Lino e Pedro Chagas Freitas, bem como participar em eventos culturais em Portugal e Espanha. Fez parte de grupos culturais da sua terra entre 2006 e 2010, onde exerceu voluntariado cultural. Publicou alguns textos em jornais e tem dois livros de poesia publicados: “Ecos Mudos” (Papiro Editora, 2006) e “Post Mortem e Outros Uivos” (WorldArtFriends/Corpos Editora, 2012)
Trabalha actualmente como Terapeuta independente. “O Último Império” (Chiado Editora, 2012) é o seu primeiro romance.

2. O que te levou a escrever?

No princípio, escrever foi para mim, uma segunda maneira de chorar sem lágrimas. Uma forma de expiação de emoções negativas num dos períodos mais difíceis da minha pré-adolescência, que só podiam ser transmitidos em poesia – numa altura em que ainda não lia livros nem conhecia nenhum escritor/poeta de referência que me marcasse e precisava, desesperadamente, de registar aquilo que sentia no âmago da alma.
Hoje, escrever passou a ser uma necessidade básica que assumo como minha companheira e amante insaciável e que vai acompanhar-me para o resto da vida. É também uma segunda voz, capaz de preencher vazios na linguagem e no pensamento que certos autores deixaram nos seus livros. Uma forma de compreender o meu universo e contradizer o mundo e o tempo a que pertenço, mesmo podendo estar sozinho contra todos.

3. Num dos vídeos que podemos assistir desta obra, agradeces profundamente à tua mãe, pelo gosto pela leitura e pela exigência na escrita. Lembras-te dos primeiros livros que leste? E das primeiras palavras/textos que escreveste?

Tenho mais memórias dos primeiros livros que li do que das primeiras palavras e textos que escrevi. Isto porque as primeiras palavras e textos estavam todas carregadas de emoções negativas - direi mesmo tétricas - que acabei, felizmente, por abandonar, tal como os primeiros poemas que escrevi. Quando cheguei aos dezoito anos, rasguei-os todos, um a um, e inutilizei-os. Não queria ter no papel aquilo que já tinha apagado da memória e do coração.
A respeito dos livros, agradeço profundamente à minha mãe, por ter-me iniciado com livros de autores como Júlio Verne, mas também a meu pai, por me ter mostrado, e convidado a ler, livros de Franz Kafka, Steven Saylor, George Orwell, Albert Camus, Philip K. Dick, Steven Saylor e Umberto Eco – este último, assumi sempre como referência primordial no que toca à ficção. Na poesia, só comecei a ler mais tarde, com vinte anos, poetas como Jim Morrison, Fernando Pessoa ou Allen Ginsberg - apenas para citar alguns exemplos. Porém, a grande revolução começou aos vinte e oito anos quando li o livro “Horto de Incêndio” de Al Berto. A partir dessa altura, comecei a assumir a escrita como uma condição e necessidade, mais do que uma mera paixão.

 - A OBRA –



4. Os teus livros estão editados por três editoras diferentes, há algum motivo para isto ter acontecido?

O facto de ter tido três editoras diferentes significa apenas que passei por três experiências diferentes, derivadas de um conjunto de circunstâncias e razões contratuais das quais não me pronuncio.

5. Em que estilo é que te sentes mais à vontade, poesia ou prosa? Conseguirias escolher um deles?

O meu estilo é uma voz muito própria que vai para além de qualquer género literário. Em cada um deles encontro a razão da minha condição de escritor. Enquanto que na poesia entendo-me e consigo reproduzir o irreproduzível, como uma vez disse Clarisse Lispector; na prosa, compreendo-me, cada vez que estou a contar uma estória e tento transformá-la em literatura. É como dizer: a poesia é o meu laboratório de experiências na linguagem e a prosa, a minha oficina.

- O ÚLTIMO IMPÉRIO –

6. Qual foi a maior dificuldade ao escrever “O ÚLTIMO IMPÉRIO”?

Olhando para trás, a maior dificuldade que encontrei foi descobrir a maneira de poder sintetizar tudo aquilo que descobri, acerca do Quinto Império e dos temas que gostaria de abordar neste livro, de modo a transformá-los em algo que fosse interessante, cativante e, ao mesmo tempo, literário. Demorei cerca de um ano e meio para investigar tudo sobre o tema principal deste romance e onze meses para escrever esta obra.

7. Qual foi o aspecto mais recompensador ao escrever este livro?

A convicção de que consegui passar a mensagem sobre o verdadeiro significado do Quinto Império e o regresso de Dom Sebastião sob a forma de um livro, que acabou por ser acarinhado, respeitado e elogiado por pessoas vindas dos mais diversos quadrantes.

8. O livro está publicado, já andaste em digressão nacional com ele…Passado algum tempo qual o balanço que fazes do impacto entre os leitores?

No passado dia 28 de Abril, fez precisamente um ano que apresentei esta obra em Lisboa na Fnac do Chiado, com o célebre escritor, crítico literário e filósofo Miguel Real. Um ano depois da sua edição e digressão, tudo o que posso salientar é que sinto que escrevi um livro de progressão e impacto lentos, mas consistentes. Recebi comentários de pessoas que não conhecia de lado nenhum, que não só elogiaram e criticaram a obra como também passaram a ler mais História de Portugal com outros olhos. Muitas delas, afirmando até que, com este livro, sentiram mais orgulho em ser portugueses, apesar da crise em que actualmente nos encontramos. Em menos de um mês ficou à venda nas principais lojas online do país (Fnac, Bertrand e Wook). Foi sugerido por um dos principais semanários nacionais portugueses. Em menos de um ano consegui ter, pela primeira vez uma obra distribuída a nível nacional, não só em algumas lojas da Fnac, mas, principalmente em todas as Lojas Book.it – sem ter feito qualquer apresentação nelas. Foi objecto de uma campanha notável que ultrapassou fronteiras e foi elogiado, sugerido e comentado por alguns dos principais escritores e autores portugueses, inclusive de desconhecidos – o que me surpreendeu imenso. Se somarmos todos estes factores, poderei dizer que o balanço foi muito positivo, dado que ainda sou um escritor estreante.

9. Sendo um livro que aborda temas delicados, houve alguma altura em que temeste a reacção dos leitores?

Quando escrevo um livro, nunca escrevo a pensar nas expectativas dos leitores. Escrevo sempre em função daquilo que a escrita me pede para escrever. Na prosa, escrevo em função de um tema ou de uma estória. Na poesia, em função da relação estreita entre o que penso, sinto e acredito e o confronto com o ritmo e a sede do silêncio que grita do branco de uma página vazia.

10. Consideras que, depois de lermos “O ÚLTIMO IMPÉRIO”, os portugueses ficam com uma noção mais concreta do que é o Quinto Império?

O autor de uma obra é sempre suspeito quando emite uma opinião acerca da mesma. Do meu ponto de vista, enquanto leitor, um livro só começa quando acabamos de ler a última página, porque é a partir daí que começamos a viver o livro dentro de nós próprios. Quando o acabei de escrever e ler, entendi que nenhum indivíduo, tal como um país, nasce por acidente ou coincidência (uma vez que, na minha opinião, coincidências não existem; apenas sincronismos). Tudo tem uma razão de ser quando acontece e o nascimento e sentido de Portugal não foi excepção. Respondendo à tua pergunta, acho que quem ler este livro vai perceber que o Quinto Império não é um mito mas o despertar de uma nova Era para o mundo e para a Humanidade ainda neste século, assim como o regresso de Dom Sebastião – mais do que uma lenda – representa o despertar do brio e da clarividência da nossa antiga alma lusitana; do “Português Imperial” como falava Fernando Pessoa, que assume a palavra e o sonho como suas línguas e o Universo como seu lar. É uma nova consciência, uma nova visão do mundo e do Universo que está a revelar-se a cada dia que passa.



- ÚLTIMAS PALAVRAS –

11. Se pudesses apresentar-te num dos teus livros, qual escolherias?

O autor – como uma vez disse José Saramago – está em toda a sua obra. Cada um dos meus livros é parte de mim, porque revela a evolução do meu estilo literário e da minha voz, o meu pensamento e forma de abordar o mundo, a realidade e a época em que me encontro.

12. Considerações finais?

Se a vida é uma dádiva porque representa uma oportunidade para revelar aquilo que nós verdadeiramente somos e queremos fazer dela, gostaria de aproveitar para agradecer esta entrevista que me fizeste. Foi um excelente momento de partilha e, mais uma vez, uma oportunidade para poder falar um pouco de mim e, acima de tudo, sobre o meu romance e o seu significado para os leitores. A leitura, mais que um meio de entretenimento, é uma oportunidade fantástica para nos compreendermos e chamar a atenção da humanidade que temos dentro de nós e, por força da vida que levamos, às vezes esquecemos. Por isso, quando leio e vejo alguém a ler, tenho esperança no futuro porque sei que ele estará, com esse gesto, a abrir as portas para o ser humano revelar o autêntico que existe dentro de si.


Espero que tenham gostado da entrevista! Para mim foi uma estreia no campo da literatura, e foi bastante interessante, para além de que o Tiago Moita disponibilizou-se de imediato para contribuir e foi muito simpático e a entrevista penso que está bem completa. Resta-me apenas agradecer profundamente ao Tiago e desejar-lhe a maior sorte do mundo! E quanto aos leitores, não se esqueçam de ler O Último Império, pois é um desperta-consciências...


Onde encontrar o Tiago V. Moita e sua obra:

Blog Garganta do Silêncio
Facebook
Post Mortem e Outros Uivos
O Último Império
Ecos Mudos

1 comentário :

  1. MENSAGENS EM RESUMO - IE, ENCAIXILHADAS DIZEM TUDO. PARABÉNS

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