O Despertar do Império, de Sam Barone - Opinião [Estampa]

maio 09, 2013


Título: O Despertar do Império
Título Original: Dawn of Empire
Autor: Sam Barone
Editora: Editorial Estampa
Ano de Publicação: 2010
Número de Páginas: 528


Demorei imenso tempo a conseguir elaborar este comentário por um simples motivo: adorei o livro, sem sombra de dúvidas, e não consigo explicar o porquê!
A história que O Despertar do Império nos traz é uma história muito simples, que gira quase apenas à volta de uma aldeia ameaçada de ataque e que se decide defender construindo um muro à sua volta. Não há muito mais a saber do que isto, excepto uma peripécia ou outra, muito simples e muito directa. Mas tão apaixonante!
Senti-me parte da aldeia. Sam Barone consegue escrever de uma forma tão detalhada e envolvente, sem se tornar aborrecido, que realmente senti que estava lá. E não foi uma simples imposição da imaginação: foi mesmo pensar como eles, ter as mesmas preocupações e medos, regozijar com as pequenas vitórias e feitos alcançados. Todo o livro é uma preparação física e psicológica para a grande batalha final, e pelo menos foi mesmo assim que eu o li: pausadamente nas preparações e sofregamente na batalha, ansiosa por mais.
Enquanto leitores, sentimos medo pelas personagens. Verdadeiro medo. Estamos no meio de uma sociedade em que não é tão anormal quanto isso haver uma zanga e a seguir cabeças a rolar. Aliás, para os mais susceptíveis o livro (sobretudo o início) pode ser um pouco violento, e isso faz-nos temer pelas personagens que nos são mais queridas. Sendo uma sociedade bruta e estando prestes a ser atacada, é de esperar que alguma das personagens que nos são mais queridas morram. A ameaça é constante e acaba por acontecer. Fiquei mesmo muito triste quando morreu uma das personagens que mais gostei no livro - não que fosse a mais importante, mas por algum motivo simpatizei com ele/a. Será que foi por causa do nome?
Só uma coisa acerca do livro que não achei tanta piada, foi a descrição de actos sexuais entre um dos casais da história - não por ter algum problema com isso, mas sim por ser uma rapariguinha de 14 anos, descrita com uma sensualidade e uma sexualidade enormes que nos fazem esquecer que é apenas uma criança; quando nos lembramos, sentimo-nos incrivelmente mal
O Despertar do Império acaba com uma promessa deixada no ar, o que originou um segundo livro (e por fim um terceiro, tendo a saga sido intitulada Saga de Eskkar), que ainda não tive oportunidade de ler.
Para além do seu valor literário, este livro é também uma lição de história, pois narra de facto o nascimento das cidades muradas, das quais todos nós conhecemos o valor e a importância. É uma maneira bonita e empolgante de saber a história, no meio de guerras e violência, amor e amizades, sentimos que aprendemos a lição.

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4 comentários

  1. Ois,

    Parece ser mesmo ao meu gosto, gostei do teu comentário e confesso que nem me tinha ainda apercebido muito bem dos seus livros.

    Bjs

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  2. Pois é, mal vi este livro lembrei-me de ti :) O problema é que eu acho que só o primeiro volume é que está publicado em Portugal :S

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  3. Gostaria de saber se o autor escreveu alguma continuação. Achei o livro fascinante.

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    1. Olá Ronaldo,

      Obrigada pela visita! Em relação à continuação, este é o primeiro livro de uma saga chamada Eskkar Saga, mas os restantes volumes não foram traduzidos. Um dia ainda os hei-de ler na versão original pois, tal como tu, achei o livro fantástico :)

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.