[Desafio Literário Junho] A Noiva Bórgia, de Jeanne Kalogridis - Opinião

junho 09, 2013

A Noiva Bórgia
Título: A Noiva Bórgia
Título Original: The Borgia Bride
Autora: Jeanne Kalogridis
Editora: Difel
Ano de Publicação: 2006
Número de Páginas: 535
Sinopse

"Incesto, envenenamento, traição. Três presentes de casamento para A Noiva Bórgia.
Uma perigosa sedutora...
O seu impiedoso irmão...
E uma mulher inteligente e ambiciosa que se interpõe entre ambos."

Ao escolher este livro, estava com muitas reservas - afinal de contas, a minha estreia com a autora (No Tempo das Fogueiras) - foi um pouco desastrosa, portanto estava já com uma ideia pouco favorável para este A Noiva Bórgia. Enganei-me redondamente; devorei o livro, adorei o livro, apaixonei-me pelo livro, e a autora redimiu-se aos meus olhos.

A Noiva Bórgia é um romance que nos aproxima imenso da sua narradora, Sancha de Aragão, levando-nos a ver o mundo pelos seus olhos, e a partilhar o seu sentido de viver. Vemos uma pequena e destemida Sancha a tornar-se numa mulher belíssima e perigosa, e por muito cliché que possa soar, é de facto uma personagem deliciosa.
Para quem que, como eu, não está familiarizado com o universo da família Bórgia, ao sermos chamados ao seu seio através de Sancha, é um choque de emoções. Sentimos desde alegria a tristeza, esperança a raiva, tudo temperado com um sentimento latente de perigo e desconfiança, nunca sabendo quem nos pode trair ou a quem nos podemos aliar. Não consegui, ao longo de todo o livro, confiar a 100% numa única personagem, a não ser na nossa heroína. Era tudo tão volúvel, tão incerto, e essa dúvida constante torna A Noiva Bórgia num livro de cortar a respiração, nunca sabemos o que vamos encontrar na página seguinte. O simples facto de ser narrado por Sancha deixa-nos com um sentimento quase de frustração por não perceber o que vai na mente de cada elemento Bórgia; apenas sabemos as suas acções, não o que os move, ou o que desejam.
Uma personagem em particular causou-me um desgosto enorme, e não avançando para a zona de spoilers, foi um dos irmãos Bórgia. Tinha esperanças tão grandes para ele e afinal, foi tudo tão triste. Senti-me tão embrenhada na escrita de Jeanne que fiquei mesmo sentida com o destino da personagem.
Ao longo do livro vão encontrar passagens mais simpáticas mas algumas verdadeiramente horríveis. Duas cenas descritas chocaram-me (o que até é uma coisa rara); dispensava-as completamente, pois considerei-as demasiado cruéis e desnecessárias para o desenvolvimento da história. Mas são duas, em não sei quantas. Por isso quando falo deste livro prefiro esquecer momentaneamente estes dois detalhes - esperando, até, esquecê-los de vez.
Mas nem tudo gira à volta dos Bórgia. Ao longo do livro temos também imenso tempo para nos preocuparmos com os dramas da família Aragão, as guerras, as más escolhas, quem amar e quem rejeitar.

Pelas pesquisas posteriores que fiz sobre os Bórgia, posso aconselhar desde já a quem não conhece a hierarquia familiar para não se fiar na que mostra o livro - ou o interpretei mal, ou a ordem dos irmãos não é fiel. Claro que isto é um pequeno aparte, em nada diminui a excelência do livro. O que causa alguma (muita?) confusão é a tradução e/ou escolha dos nomes. Estamos a falar de pessoas que realmente existiram e, não tendo lido o original, não sei se a culpa recai sobre a escritora ou sobre a tradução.

É uma obra magnífica. Tem todos os ingredientes: amores verdadeiros e proibidos, conspirações e assassinatos, mistério e drama, tem tudo. Numas meras quinhentas e poucas páginas somos transportados para outros tempos e quando chega ao fim queremos muito, muito mais. Tal como disse anteriormente, este livro redimiu Jeanne Kalogridis aos meus olhos, e acrescentou mais uns livros da autora aos muitos que quero ler.

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2 comentários

  1. Olá,

    Bem parece que estamos na presença de um excelente livro e muito interessante, sim senhor.

    Ficou debaixo de olho, mas penso que não deve ser um livro fácil de encontrar, sendo da Difel, mas vou tentar ver se encontro em alguma alfarrabista ou assim.

    Grande comentário ;)

    Bjs

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  2. Oi Nádia,

    "A Noiva Bórgia" deve ser mesmo um bom livro, irei procurá-lo aqui no Brasil, pois devido a sua resenha, interessei-me pelo livro, ou seja, sua resenha me convenceu! Parabéns pela resenha!

    Abraços e boas leituras!

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.