sábado, 1 de junho de 2013

Jardins de Canela, de Shyam Selvadurai - Opinião [Bizâncio]

Jardins de Canela
Título: Jardins de Canela
Título Original: Cinnamon Gardens
Autor: Shyam Selvadurai
Editora: Editorial Bizâncio
Ano de Publicação: 2003
Número de Páginas: 304

Sair um bocado do pequeno mundo do qual eu gosto de ler. Aventurar-me um bocadinho mais além. No início deste ano, foi com Isabel Allende e a sua América do Sul. Agora, pela primeira vez, deixei Shyam Selvadurai encaminhar-me pelo mundo do Ceilão e dar-me a conhecer este pais, as suas pessoas, os seus costumes, o seu vocabulário, no início do século passado. Estava um bocado insegura relativamente a viajar para tão longe mas depois de conhecer os Jardins de Canela, rendi-me completamente.

Temos duas histórias distintas: Annalukshmi e a sua independência, numa altura em que as mulheres não estavam ao nível dos homens. Balendran e o seu terrível segredo, e a forma como isso moldou a sua vida. Pessoalmente, gostei mais da história de Balendran, pois embora a luta de Annalukshmi fosse complicada, não estava sozinha nisso, ao passo que Bala carregava sozinho o fardo do seu segredo, descoberto muitos anos atrás pelo seu temível pai, para grande vergonha de ambos. Para além do mais, Bala tem uma lealdade absoluta para com o pai, o que rege a sua vida e vai contra as suas crenças, mas que não é abalada.
Ao longo do livro construímos expectativas em relação aos personagens. Com Annalukshmi estive dividida: por vezes torcia pela sua independência, outras vezes pela sua vida amorosa. Com Bala, quis fortemente que pudesse ser feliz com o seu segredo. Ao longo das lutas internas destes personagens, deparamo-nos também com uma luta na sociedade, uma luta de igualdades, a soberania do império, e como isso afecta positiva e negativamente o estilo de vida de todos.
Cada capítulo começa com um verso retirado do Tirukkarul, o que enriquece bastante o livro. Algumas frases não nos dirão nada, mas outras encaixam-se perfeitamente em nós... E há ainda uma expressão extremamente engraçada usada no livro, os amigos de Oscar. E mais não posso dizer!
Shyam Selvadurai presenteia-nos com descrições completas que nos transportam para mais perto deste mundo: as casas, as decorações, os saris, os jardins, os ambientes... Recorre imenso ao uso de expressões locais, o que pode complicar um pouco, mas nada de preocupante. Deixa-nos ainda um fim não acabado, pelo menos para uma das personagens. Não irei dizer qual, leiam o livro e descubram. Fiquei um pouco triste por não ter um final sério; por vezes é bom, pois nós enquanto leitores podemos tirar as nossas próprias conclusões, mas no caso de Jardins de Canela, fiquei com uma sensação um pouco amarga, por não saber ao certo o destino das personagens.

É um romance brilhantemente escrito, rico em descrições que apelam aos nossos sentidos, e que nos leva para países e culturas distantes, numa época que já lá vai.

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