[Desafio Literário R] Strange Case Of Dr. Jekyll And Mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson - Opinião

julho 20, 2013

Strange Case Of Dr. Jekyll And Mr. Hyde
Título: Strange Case Of Dr. Jekyll And Mr. Hyde
Autor: Robert Louis Stevenson
Editora: Penguin
Ano de Publicação: 1994 
Número de Páginas: 88

"I thought it was madness (...) and now I begin to fear it is disgrace"

Há já alguns anos que tinha este pequeno livro na estante e pareceu-me uma boa aposta para a letra R, tendo em conta que queria ler este livro há mais tempo de que o tenho. Antes de começar a ler, perguntei-me o que já sabia da história. Desde a personagem interpretada por Jason Flemyng no filme A Liga dos Cavalheiros Extraordinários à fantástica série Jekyll, a minha ideia era a de um médico que sofria de algum distúrbio e desse distúrbio nasce Hyde. Basicamente, é isto. Mas é isto e muito mais.

A leitura, sendo em Inglês, tem um outro sabor, simplesmente por ser a língua original em que foi escrito. Todos sabemos que há traduções vergonhosas e, lendo esta edição, esse problema ficou resolvido; aliás, deu-me a conhecer uma palavra que me apaixonou e deliciou completamente: hitherto (até agora).
A narrativa não nos é apresentada na primeira pessoa, o que faz com que o mistério seja mais sufocante. Ouvimos relatos e vamos descobrindo, através de outras personagens, quem é Jekyll e o que é Hyde. No último capítulo temos sim a descoberta final, contada pelo próprio Jekyll, que põe fim a todas as nossas dúvidas e nos revela o verdadeiro sentido da história.
O verdadeiro sentido da história... qual será? Podemos ver de duas maneiras: ou como uma história fantástica, em que o homem se transforma num monstro, ou como um reflexo da consciência humana, do bem e do mal que temos dentro de nós. Temos, sem dúvida, pano para mangas. Depende de como o leitor quer interpretar as palavras de Robert Louis Stevenson: somos nós mesmos capazes de nos transformarmos em monstros, ou isso não passa de uma divagação literária, fruto de uma imaginação imensa?

De qualquer das maneiras, seja o ponto de vista que o leitor adopte, este livro devia ser de leitura obrigatória. É um livro pequeno mas que nos faz pensar na nossa natureza, e ler um livro que nos faz pensar, reflectir, reconsiderar, é valioso e deve ser aproveitado ao máximo.

(é uma série magnífica. Complicada, é verdade, mas vale bem a pena. É um óptimo complemento do livro, mas leiam primeiro e vejam depois!)







You Might Also Like

0 comentários

Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.