Madamme C05, de Vinícius Ulrich - Opinião [Chiado]

julho 05, 2013

Título: Madamme C05
Autor: Vinícius Ulrich
Editora: Chiado Editora
Ano de Publicação: 2012
Número de Páginas: 201

"Ele jamais esqueceria aquela misteriosa mulher e seu estonteante perfume... Chanel n.05!"

A escolha deste livro foi um pouco à aventura. Pela sinopse não consegui perceber de que género de livro se tratava, mas o facto de retroceder no tempo até à II Guerra Mundial, altura sobre a qual gosto de ler, e o próprio nome do livro, que me intrigou, levaram-me a optar por esta leitura. E foi uma escolha muito acertada.

Um pouco confuso de início, a leitura revelou-se bastante agradável e apelativa, pois vamo-nos apercebendo que há mais sobre a trama do que aparenta. De absorção rápida e fácil, vemo-nos metidos numa conspiração da qual resulta uma série de assassinatos. Durante toda a leitura não me apercebi de quem era o verdadeiro assassino. Cada palpite que tinha, cada personagem que me parecia suspeita, morria de seguida. Sentimos quase como um apelo urgente para continuar a ler, só para sentirmos a satisfação de saber quem está por trás de tudo. Ulrich conseguiu, em poucas páginas, criar um mistério brilhante.
Dentro da narrativa surge-nos uma trágica história de amor. Apesar de ser absolutamente necessária para a intriga, trata-se de um elemento muito bonito, que nos dá a sensação de leveza entre os crimes. Amor puro, jovem e condenado. É sempre um bom ingrediente, e mais uma vez o autor não falhou na criação da atmosfera ideal.
Apesar da narrativa, por vezes, nos presentear com momentos mais estranhos e complicados de perceber, como por exemplo as idades das personagens durante as viagens no tempo, e o facto de poderem participar activamente ou não no desenrolar dos acontecimentos, penso que está muito bem construída. Todas as personagens estão completas, sendo Jayme a peça central para a compreensão de tudo. Achei curioso o pormenor de, sendo Jayme a personagem principal (do meu ponto de vista, devido à importância que tem), se manter tantas vezes afastado dos acontecimentos principais, agindo quase secretamente.
O final do livro é que me deixou completamente perdida. Reli o capítulo várias vezes, e mesmo assim fiquei com a sensação de que me faltou perceber alguma coisa. Portanto, a quem já leu o livro, o que acharam do final? E mesmo quem ainda vá ler, depois passem aqui e contem-me os vossos pensamentos.

Aconselho vivamente este livro. Vai deixar-vos a matutar em quem está por trás de cada crime, e o porquê. Eu, enquanto leitora, e não tendo muita experiência com autores brasileiros (por nenhum motivo em específico, apenas não calha), posso afirmar com toda a certeza que Vinícius Ulrich foi uma excelente aposta.

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2 comentários

  1. Só agora li seu comentário e fico muito feliz por ter lhe proporcionado momentos agradáveis de entretenimento.
    Muito obrigado pelas palavras e comentários sobre minha obra.

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    Respostas
    1. Olá Vinicius!

      Muito obrigada eu pela visita e palavras! Ainda bem que gostou. :)

      Continuação de boa semana!

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.