quinta-feira, 18 de julho de 2013

O Céu e o Inferno, de Sérgio Branco - Opinião [Chiado]

Título: O Céu e o Inferno
Autor: Sérgio Branco
Editora: Chiado Editora
Ano de Publicação: 2012
Número de Páginas: 564

Escolhi O Céu e o Inferno pela sua sinopse, que me intrigou bastante, e a sua capa, com aquele símbolo incomum, conquistou-me. As expectativas eram algumas, apesar de na altura não me transmitir uma grande originalidade, estava ansiosa para ler.

Tal como suspeitava, a história em si não nos traz nada de novo. Temos uma luta clássica entre o Bem e o Mal, mas que não deixa de ser cativante. No entanto, por mais bem construída que a narrativa esteja (e está), logo ao inicio apercebemo-nos de algo que lentamente a vai matando: notamos uma escrita muito verde, muito imatura. Verdade seja dita, está mal escrito; erros ortográficos, frases mal construídas, palavras que não têm sequer o sentido que o autor lhes tenta dar. É realmente uma pena tal trabalho: a imaginação do autor tem qualidade e não merecia ser representada por tal escrita. Na apresentação do livro, Sérgio Branco afirmou "(...) mesmo a minha forma de escrita é uma crítica à sociedade actual, uma sociedade que é imperfeita e, como tal, e como eu digo, cria uma escrita que se chama a escrita de imperfeição, (...) com pouca pontuação e pouco mais, porque a sociedade 'tá num momento em que não tem perfeição nenhuma, as pessoas acham que somos todos perfeitos, (...) temos que ser perfeitos para conseguir alguma coisa e isso não é verdade (...) "... Sinceramente, enquanto leitora, esta justificação pura e simplesmente não me satisfaz nem desculpa a escrita do livro. Há imensas maneiras de criticar o que quer que seja, e fazê-lo escrevendo de uma forma pobre, não vai com certeza ter o impacto que teria se fosse escrito de uma maneira correcta e com as palavras certas.
Apesar de começar com uma cena um pouco improvável (a cena da escola e consequente reacção dos intervenientes), o autor consegue manter um certo suspense ao longo do livro, principalmente no que toca à história que envolve a personagem principal (do mesmo nome do escritor. O que me leva a um outro ponto, ao ser um livro com uma forte componente pessoal, nota-se que há emoção por trás das palavras, e essa experiência do escritor, passada para o leitor, é sempre interessante). Apesar de dar por mim a questionar certas atitudes das personagens devido à sua tenra idade vs o seu comportamento adulto, conseguimos ultrapassar este pormenor e continuar a ler. Chegamos ao final do livro com um bichinho por mais, para saber afinal qual a história dos Branco. O segundo volume já deverá estar pronto por esta altura, e espero sinceramente que esteja escrito de um modo que lhe faça justiça. E espero também que o autor tenha cuidado com as descrições: as descrições, longas ou não, podem ser bonitas, necessárias; mas tem de se ter cuidado para não cair na tentação de se descrever tudo e mais alguma coisa, pois isso tornará o livro aborrecido e distrai até o mais atento e bem-intencionado dos leitores.

Concluindo, pese embora a escrita deixar imenso a desejar, O Céu e o Inferno é uma boa leitura. Tem alguns ingredientes que funcionam sempre bem: o drama da separação familiar, a esperança do amor jovem, a adrenalina das batalhas, o mistério das histórias que ficam por contar. Repito, fico a aguardar o segundo volume, escrito da devida maneira e quero, sobretudo, saber o passado e o futuro de Sérgio Branco.



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