quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Anónimos, de José Ribeiro - Opinião [Alfarroba]

Título: Anónimos
Autor: José Ribeiro
Editora: Alfarroba
Ano de Publicação: 2013
Número de Páginas: 132

Antes de mais, olhem para a capa. Que belíssimo trabalho levado a cabo pela editora Alfarroba, que criou uma capa que aposta no simples mas que chama à atenção. E a maneira como a capa se relaciona com o título do livro roça o genial. Muito bem Alfarroba!

Foi uma surpresa muito agradável. A escrita de José Ribeiro é uma escrita que me cativa bastante, com um ritmo que me leva facilmente, enfim, com tudo para realmente me agradar. E o facto de ser um pequeno livro de contos, ao que parece uma leitura fácil e rápida, torna-se em algo bem mais poderoso, em pequenas histórias que, apesar de nos serem ligeiramente familiares, parecem ser-nos contadas pela primeira vez; e, tal como o escritor pretende, estes Anónimos ficam connosco, fazem parte do nosso mundo, ou são a nossa própria pessoa.

Conto a conto, por poucas palavras, pois a simplicidade também é boa, e através da simplicidade das palavras José Ribeiro conta-nos histórias que marcam.
Elisabete e Abelardo - uma história de amor doce, sénior, que nos faz querer chegar a velhinhos e amar.
Jonas visita o seu pai - um conto tão triste, tão inesperado, põe-nos a reflectir no que temos.
Jerónimo - o primeiro conto que verdadeiramente me apaixonou. Não sei por que motivo, mas Jerónimo, o sem-abrigo, mexeu comigo.
O Tomé e o Francisco - tantos Tomés e Franciscos que por aí existem, e tantos patrões de bigode farto, cabelo negro e aprumado, um relógio brilhante e dourado no pulso e uma indubitável cara de rico severo e exigente que os consomem. Uma história inocente mas tão real.
A noite de núpcias da Carmen - um conto que também me sensibilizou, a perda da inocência em resposta ao despertar para a realidade.
Hannah e Hans - o segundo conto que me apaixonou de verdade. Passado no período de Guerra, que por si só já me cativa sempre, este conto é especial, na ligação que faz entre nazis e judeus, o modo como a mente trabalha.
Fausto - embalada que vinha do conto anterior, Fausto apanhou-me surpresa e também me conquistou. É talvez dos contos mais simples e mais sérios, mais profundos e mais comoventes que está neste Anónimos
Maria Rosa - um conto também muito simples, acerca do milagre da vida.
Maria da Luz - uma história infelizmente tão comum mas com um final bem mais feliz do que a maioria. É pena, haver tantas Marias da Luz. 
S. - mais uma história de amor, com uma abordagem interessante.
Eduard - três palavras: "Valeu a pena?". Não consigo fazer justiça a este conto. Leiam-no.
O Doutor M. - este conto pareceu-me talvez um pouco mais estranho. Ou não o li no momento correcto. De qualquer dos modos, vale a pena pela excelente escrita.
A bola do João - um conto quase infantil, enternecedor, e tão realista. Todos quisemos um dia ser o João, com a bola ou com qualquer outro objecto. Esta inocência e felicidade ingénua é captada na perfeição nesta pequena história.
O filho de Belchior, Gaspar e Baltasar - o conto que, de longe, menos me agradou. Apesar da história em si acerca deste filho ser engraçada, revelou-se um conto muito longo e dei por mim a exasperar pelo final.

Concluindo, apesar de o final na minha opinião deixar muito a desejar, aconselho vivamente este pequeno livro. Ao início estava céptica quanto ao desejo do autor - afinal, não é o que todos os autores desejam, imprimir as suas personagens e histórias nas mentes e memórias dos leitores? Mas por esta é que eu não contava. José Ribeiro deseja-o e consegue-o. Anónimos mantém-se na nossa memória, com o passar dos tempos os seus nomes misturam-se mas permanece a sua história, a sua luta, a sua lição.

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