Catarina de Aragão, de Philippa Gregory - Sinopse & Opinião [Civilização]

agosto 07, 2013

Catarina de Aragão - A Princesa Determinada (The Tudor, #1)
Título: Catarina de Aragão
Título Original: The Constant Princess
Autora: Philippa Gregory
Editora: Civilização Editora
Ano de Publicação: 2006
Número de Páginas: 451

Catarina de Aragão nasce Catarina, Infanta da Espanha, de pais que eram reis cruzados. Aos três anos foi prometida ao príncipe Artur, filho e herdeiro de Henrique VII da Inglaterra, e é educada para ser princesa de Gales. Sabe que o seu destino é reinar sobre aquela terra distante, húmida e fria. 
A sua fé é posta à prova quando o futuro sogro a recebe no seu novo país com uma grande afronta; Artur parece ser pouco mais do que uma criança; a comida é estranha e os costumes vulgares. Lentamente, adapta-se à sua primeira corte Tudor, e a vida como mulher de Artur vai-se tornando mais suportável. Inesperadamente, neste casamento arranjado começa a nascer um amor terno e apaixonado. 
Mas, quando o jovem Artur morre, ela tem de construir o seu próprio futuro: como pode agora ser rainha da Inglaterra e fundar uma dinastia? Só casando com o irmão mais novo de Artur, o alegre, mas mimado Henrique. O pai e a avó de Henrique são contra e os poderosos progenitores de Catarina revelam-se de pouca utilidade. No entanto, Catarina possui um espírito lutador é indomável e fará qualquer coisa para alcançar o seu objectivo; mesmo que tal implique contar a maior das mentiras e mantê-la.


A minha primeira experiência com Philippa Gregory! Há muito tempo que tinha uma curiosidade enorme em conhecer esta autora e finalmente tive oportunidade. Catarina de Aragão pareceu-me uma boa aposta e, apesar de não ter sido o primeiro volume a sair desta série, é aconselhável ler-se em primeiro lugar, devido à ordem cronológica. Gostei tanto do livro, que não sei por onde começar...!

Catarina de Aragão - A Princesa Destemida, diz imenso acerca de Catarina. Criada com o intuito de ser Rainha de Inglaterra, esta Infanta de Espanha deixa o seu país natal, prometida ao futuro rei de Inglaterra. É o seu destino, mas acaba por não ser tão linear quanto isto.
Philippa Gregory apresenta-nos a uma Espanha conquistadora e rica, em contraste com uma Inglaterra que é retratada por um rei que apanhou a coroa no meio do campo de batalha, com gentes estúpidas e pouco civilizadas. É um contraste interessantíssimo e que nos faz quase inconscientemente desconfiar dos passos dados pelos ingleses. E quando Catarina se apaixona por Artur, o seu prometido, sentimo-nos arrebatados por tal amor, também ele conquistado, aos poucos e poucos. Os verdadeiros contos de fadas! Mas Artur morre, e tudo à volta da sua morte é provavelmente dos trechos mais trágicos, tristes, dramáticos, que já li. Fiquei realmente emocionada e zangada por tal ter acontecido. Foi tudo tão repentino e tão injusto, e está escrito de uma maneira tão bela que nos faz doer ainda mais.
Depois deste desgosto literário, encontramos uma Catarina tão diferente, e a sua mentira muda o seu destino para todo o sempre. Aprendemos a gostar de Catarina e a compreendê-la, a apoiá-la nesta mentira. E sentimo-nos parte da conspiração, talvez pela nossa afinidade com os nuestros hermanos, talvez pela escrita envolvente de Philippa? Não sei dizer, ao certo; mas cada virar de página acompanha uma respiração suspensa, na ânsia do que se vai desenrolar nas próximas palavras.
Há apenas um senão que posso apontar a este livro. Nas partes narradas pela própria Catarina, há uma insistência muito grande no seu discurso, que ao princípio se torna quase maçador, mas que com o passar das páginas se torna familiar e mais tarde justificável; esta insistência prende-se na repetição de "sou a Infanta da Espanha, criada para ser Rainha de Inglaterra, filha da rainha Isabel,......." e é sempre isto. Mas acabamos por perdoar pois, se não tivermos entendido logo ao início, mais tarde percebemos que Catarina é isso.

Uma estreia deliciosa. Não podia estar mais contente com Philippa Gregory, quando a autora nos presenteia com um romance tão bom. E, mesmo podendo conter alguns erros no conceito histórico, a mim não me importou em nada: está uma obra maravilhosa e mais não posso pedir.

"Esqueci-me de que era marido. Não sabia que tinha de ser um marido. Não percebi que vos podia fazer chorar. Nunca mais o farei."

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2 comentários

  1. Nunca li mas ja tinha ouvido falar desse livro e disseram-me que tinha uma belíssima história além de estar muito bem escrito.
    acho que vou comecar por aqui: http://portugues.free-ebooks.net/ebook/Catarina-de-Aragao-A-Princesa-Determinada

    se alguém sabe de mais livros desta autora em pdf, que apite! :D

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    1. Olá Karla,

      Sim, é uma autora que vale bem a pena ler, se gostas deste género de livros então certamente vais gostar.

      Boas leituras!

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.