Face Negra, de Elizabete Cruz - Opinião

agosto 20, 2013

Face Negra
Título: Face Negra
Autora: Elizabete Cruz
Data de Publicação: 2013
Número de Páginas: 355

Quando a autora me deu a chance de ler Face Negra, fiquei verdadeiramente agradecida e ansiosa. Agradecida pela atenção que Elizabete Cruz me deu, e ansiosa para ler o livro, pois já tinha lido a sinopse no Goodreads e estava curiosa.

E então... fiquei agradavelmente surpresa. Não estava à espera de ter gostado tanto do livro como gostei, pois apesar de me interessar, não via nenhum pormenor à primeira vista que me apaixonasse de imediato. Aos poucos e poucos fui descobrindo que Elizabete não é uma miúda, sabe o que escreve e fá-lo bastante bem, com um estilo muito fluido e próximo da nossa oralidade, sem tocar no brejeiro. Textos estruturados, diálogos com sentido, encadeamento harmonioso... Uma boa leitura.

A história é bastante interessante. Somos levados a um passado recente e a conhecer uma Daniela que não existe no hoje da história. Ou, quando existe, luta para se extinguir. Não é uma personagem fácil, pois tão depressa nos conquista como, com a mesma facilidade, nos leva a desprezá-la, quando a acompanhamos nos seus momentos mais negros. E são muito negros. Não estava à espera de ser tão pesado.
Elizabete consegue imprimir em Face Negra uma certa... leveza. Apesar da seriedade da história (a vida de Daniela, é certamente a vida de tantas Danielas que nem sonhamos que o são), temos momentos de distracção, com personagens bem criadas para tais fins: temos Dyre e o amor, Marco e a amizade, Margarida e Tomás e a família, temos a universidade e o trabalho, temos uma vida perfeitamente normal mas completamente viciante de ler. E sim, eu que não gosto de ler no computador, li o e-book em dois dias (não seguidos, mas não interessa).
E por falar em Dyre... como posso eu ficar indiferente a tal amor? Pode não ser nada de transcendental, mas a mim disse-me imenso. Claro que é pouco provável: eles encontram-se por acaso, perdem-se, e depois voltam-se a encontrar, passados três anos? Coincidência a mais, mas eu sou uma romântica incurável, e acredito nestas histórias. Alguém tem de acreditar nelas, alguém tem de lhes dar voz, como Elizabete fez, e alguém tem de as levar a sério, como eu fiz.
Um outro ponto que para muitos possa ser irrelevante, a mim marcou-me: a acção passada no Porto. Há uma proximidade geográfica muito grande e é bom ler um livro e saber exactamente onde são os sítios onde se passa a acção.

“Um dia vais acordar, e não vais ter nada além de arrependimentos.”

Não querendo dar uma imagem de parcial, na verdade não me consigo recordar de nada negativo para apontar. Não houve nada que me apercebesse que influenciasse a minha leitura, de modo a ainda me lembrar disso. Poderia falar do final escolhido, sim, mas entretanto já soube que a autora vai dar continuidade ao livro, portanto não me adianta muito pronunciar sobre o mesmo, agora é aguardar!

"Pois é, depois de várias horas a pensar e a imaginar (enquanto torrava ao sol) posso dizer que tive umas ideias. Várias pessoas me pediram uma sequela do "Face Negra", já que o final era incerto o suficiente para isso. Ora, depois de tanto me ter custado abandonar o Marco e a Daniela, nada me faria mais feliz do que voltar a eles. Então pensei, analisei as pontas soltas, ponderei novas personagens e histórias e cheguei a uma conclusão.
Curiosos?
Sim! O Marco e a Daniela vão voltar! Não será hoje, nem amanhã, nem para tão breve, mas voltarão. Enquanto isso, trabalharei nas duas duplas: Martim/Teresa (não sabem quem é, mas saberão) e Daniela/Marco.
Espero que se sintam felizes com a ideia ^^ entretanto ficam com aquela que será a ideia base desta sequela:
«Há seis anos atrás eles compactuaram num crime. Agora, alguém está desejoso por se vingar.»"
em A Wonderful World, blogue da autora.

Portanto, é sim um livro que vale a pena ler. Mesmo para os que não gostaram, terão de admitir que não é nada escandalosamente mau. E em alturas como esta, em que as tendências sobrenaturais continuam irritantemente na moda, livros como Face Negra aparecem para nos salvar.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.