terça-feira, 10 de setembro de 2013

[Desafio Literário Setembro] Os Sobreviventes, de Charlotte Rogan - Opinião

Os Sobreviventes
Título: Os Sobreviventes
Título Original: The Lifeboat
Autora: Charlotte Rogan
Editora: Editorial Teorema
Ano de Publicação: 2013
Número de Páginas: 272

Para o mês de Setembro, decidi variar um pouco o Desafio Literário; assim, em vez de escolher um autor cujo nome começasse por S, optei por um livro começado por S, e assim a escolha recaiu sobre Os Sobreviventes. Já tinha este livro para ler há algum tempo, e pareceu-me que o mês de Setembro era o ideal para finalmente o ler. Mais alterações deste género e afins virão nos próximos Desafios.

Um dos livros que mais me custou a ler nos últimos tempos, Os Sobreviventes leva-nos numa viagem em pleno oceano em que somos confrontados com os nossos medos e as nossas dúvidas, em que questionamos a nossa moral e a nossa ética perante o risco da nossa vida. O que faz um ser humano para sobreviver?
Enquanto leitora, não costumo ser muito sensível a passagens violentas ou desumanas, mas nestas páginas foi impossível passar ao lado de determinadas passagens. Há duas, em específico, que realmente me pesaram e me deixaram, sinceramente, chocada. É tudo tão cruel. Ao longo do livro estas imagens que Charlotte Rogan imprime vão-se suavizando - ou somos nós que, ao ler, acabamos por nos habituar a tal devastação?

Alternando entre um presente confuso e um passado terrível, conhecemos a história de Grace e de como foram os dias passados num escaler, em que todos querem viver custe o que custar. Esperava algo mais virado para a reflexão humana sobre quem dentro do pequeno bote tinha o direito a sobreviver e quem não tinha, mas apenas o relato dos dias que passaram à deriva faz-nos considerar todas as probabilidades: quem fica, quem sai? E quando nos apercebemos de, inconscientemente, apoiar ou não as decisões tomadas, damos por nós horrorizados por consentirmos tais cenários. Isto aconteceu-vos? Se sim, como reagiram?
Em conversa com um outro leitor deste livro, fiquei a saber que a sua personagem preferida era o Mr. Hardie; achei esta afirmação bastante curiosa tendo em conta todo o papel desempenhado por Mr. Hardie ao longo do livro, e mesmo chegando ao fim, continua a haver muitos mistérios à sua volta. Mas por outro lado, não há uma personagem, a meu ver, que se destaque; todas elas parecem simbolizar algo, desde a religião à experiência, à mãe, à jovem, ao inválido, ao idoso, à mulher, ao homem. Há ainda um outro factor que influencia toda a nossa experiência de leitura: estamos a ler do ponto de vista de Grace, ou seja, somos apresentados àqueles dias pelos seus olhos, moldados pela sua vivência. Quem nos garante que foi mesmo assim?

No geral, gostei deste livro. Não o consigo ver como um dos melhores que alguma vez li, mas consegue mexer connosco, fazendo-nos pensar sobre a Humanidade, a moral, o direito à vida. É uma leitura fácil (dentro do possível) e um óptimo escape, no meu caso, por ser tão diferente do que costumo ler.

A nível literário, não me recordo de nada mais que possa acrescentar; mas que esta leitura dá pano para mangas, isso sem dúvida.

(book trailer em Espanhol, mas que penso estar muito bem)

No site da autora, podem ver vários apontamentos interessantes acerca de alguns factos do livro. Visitem aqui.

1 comentário :

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