O Sorriso das Mulheres, de Nicolas Barreau - Opinião

setembro 19, 2013

O Sorriso das Mulheres
Título: O Sorriso das Mulheres
Título Original: Das Lächeln der Frauen
Autor: Nicolas Barreau
Editora: Quinta Essência
Ano de Publicação: 2012
Número de Páginas: 292

O romance mais encantador da temporada

Será mesmo o mais encantador?

Um dos maiores arrependimentos deste ano. Quando o comecei a ler, foi meio contrariada, pois algo no livro não me inspirava confiança. Seria a capa? Seria a sinopse? Seria o próprio título? Não sei, apenas não me... conquistava. Mas mesmo assim, decidi ler. A pessoa que mo recomendou disse-me que era um livro muito bonito e que eu ia gostar. E eu fiz uma tentativa, a sério que fiz.

Estive tão perto de o deixar de lado! Só não o fiz porque fui mais teimosa do que o que queria; se tinha começado a ler, deveria acabá-lo, quanto mais não seja para ter a certeza que não ia gostar até ao fim.
Apesar de ser uma leitura extremamente leve (em todos os sentidos), a história é incrivelmente aborrecida e pouco credível. É demasiado previsível, logo desde o início sabemos que algo de errado se passa, e sabemos logo de quem desconfiar - e quem diria, temos razão! O livro acaba muito rapidamente. Eu estava a prever toda a acção (e sinceramente, não me enganei), e estava a ver como é que o autor ia conseguir dar um final minimamente decente à história. E o autor fê-lo, mas de um modo pouco decente, improvável, rápido. Eram apenas mais umas páginas e o fim teria sido mais bonito.
Eu sei que enquanto leitora reclamo muitas vezes disto, mas é algo que me desagrada; não por mim, regra geral, mas mesmo assim... As expressões noutras línguas, não traduzidas. Que mal havia colocar uma pequena tradução em nota de rodapé? Não falo fluentemente Francês, mas consegui perceber o que se falava no livro; e quem não percebe uma única palavra, como é? Os dicionários são nossos amigos, mas interromper uma leitura para saber a tradução de uma palavra é motivo suficiente para não me apetecer retomá-la.
As personagens também não me convenceram. Aurélie é extremamente chata! Também eu já quis escrever a alguém famoso (chamemos-lhes assim). Mas há que ter a percepção de algo chamado realidade. E mesmo sendo um livro, queremos que nos faça sorrir, logo tem de mexer connosco, e isso só acontece se pudermos acreditar no que lá está escrito, se nos fizer ter esperança. A obsessão da personagem irritou-me, assim como a mentira do outro personagem quase principal: porque não, simplesmente, contar a verdade?

Há apenas um ponto positivo a apontar a este romance. O ambiente. Paris no Inverno, com neve, frio e outros que tais... sim, pode soar a cliché, mas não deixa de ser um ambiente romântico e apetecível, e apesar da ligeireza da história, é um bom pano de fundo. Afinal, Paris é a cidade dos apaixonados.

Não me recordo de ter gostado tão pouco de um livro como este. Não o odiei de morte, é claro que não. Mas penso que é... talvez lamechas demais?, para os meus gostos. A todos que queiram ler uma coisa rápida e fácil e que não dê que pensar, força, O Sorriso das Mulheres é uma boa opção. Para quem quser ler realmente e ter uma boa experiência de leitura, não peguem no livro.

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1 comentários

  1. Olá,

    Bolas com um titulo tão apelativo que pena que tenha sido um livro que não tenhas gostado.

    É muito raro não ler um livro até ao fim e por vezes dou por mim a pensar realmente que livro tãol fraquinho, perdi o meu tempo.

    Parece ser o caso, venha o seguinte :)

    Bjs

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.