Os Factos da Vida, de Graham Joyce - Sinopse & Opinião [Bizâncio]

setembro 04, 2013

Os Factos da Vida
Título: Os Factos da Vida
Título Original: The Facts of Life
Autor: Graham Joyce
Editora: Bizâncio
Ano de Publicação: 2002
Número de Paginas: 355

Sete Irmãs vivem juntas sob a sombra da guerra, unidas pela lealdade, pelo amor, pelo medo e pela esperança. Até que chega uma noite alucinante em que Luftwaffe arrasa Conventry. No meio das tempestades de fogo que se propagam pela cidade, a irmã mais nova experimenta um despertar mágico que resultará, anos depois, no nascimento de um criança. Após o fim da guerra, os percursos das irmãs divergem, mas permanecem atraídas por esta criança extraordinária. À medida que o rapaz cresce, as circunstâncias conspiram para pôr à prova as suas lealdades mútuas, enquanto abrem o pano dum mundo de eventos verdadeiramente espectaculares.

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Os Factos da Vida chamou-me à atenção principalmente pelo período em que a narrativa se desenrola. Fiquei também um pouco curiosa com a história, pois queria saber como é que no mínimo oito personagens se desenvolvem numa acção e se mantêm interessantes.

Quando comecei a ler, apercebi-me que o livro era muito mais do que o que eu esperava. Vamos sendo apresentados a esta família...

"Família esquisita de facto, a começar por Martha e os seus visitantes fantasmas. Depois Aida, a mais velha, casada com um homem que toda a gente concordava parecer mais um cadáver andante; a seguir as irmãs solteironas Evelyn e Ina, pilares da Igreja Espírita, constantemente a organizar e a documentar as visitas de médiuns, parapsicólogos, videntes, invocadores, guinchadores, voyeurs; Olive, que chorava por tudo e por nada, e Una, que não vertia uma lágrima por coisa nenhuma; e Beatie, que levantava os punhos para defender a santidade de uma ideia intelectual; e Cassie, que achava incrivelmente estranho que os seres humanos não viessem equipados com asas para voar."


...e aprendemos a gostar de cada uma destas personagens, cada qual com a sua personalidade e a sua maneira de estar na vida. E algo pelo qual eu esperava antes de iniciar a leitura aconteceu: de facto, Graham Joyce consegue criar uma série de personagens apaixonantes, diferentes, desafiantes, intrincadas. Acabei por não conseguir eleger uma para realmente amar: são todas tão únicas que não consegui destacar apenas uma.
Na história acompanhamos o crescimento de Frank, filho biológico de Cassie mas adoptivo de todos, e conforme a criança cresce, vamos conhecendo mais e mais da família, à medida que cada casal ou irmã cuide dele. Tudo isto nos leva numa sucessão de eventos diferentes, que oscilam entre o cómico e o sério, entre o choque e a leveza dos acontecimentos. Vamos aprendendo mais sobre o dom de Frank, a maneira como a criança lida com esse dom e em cada estadia, há algo novo a reter.
O enredo é fascinante. Tão depressa estamos no presente (que vem normalmente acompanhado de algumas surpresas e revelações) que se passa em inúmeros sítios, como viajamos para um passado privado que marca determinada personagem. São factos, são as histórias da vida.

A passagem do livro que mais gostei foi talvez quando Frank esteve com Una e Tom, na quinta. Há uma tranquilidade, uma felicidade serena nestes capítulos. É também na quinta que nasce o mistério que vive em todo o livro, o Homem-por-trás-do-Vidro. Confesso que a solução não era a que eu pensava, mas foi ainda melhor.

Não há nada de errado acerca desta obra, na minha opinião. Usando as palavras de Isabel Allende, é uma saga épica acerca da família, do amor, e da magia. Simplesmente brilhante.

(até nisto Graham Joyce acertou. Esta música é a banda sonora perfeita para este livro.)

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.