quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A Casa do Boticário, de Adrian Mathews - Opinião [Estampa]

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Título: A Casa do Boticário
Título Original: The Apothecary's House
Autor: Adrian Mathews
Editora: Editorial Estampa
Ano de Publicação: 2006
Número de Páginas: 463

Já há algum tempo que tinha este livro debaixo de olho. Uma vez mais, estamos perante uma história que pisca o olho aos tempos da Segunda Guerra Mundial, e isso por si só serviu para me conquistar. Depois, os pequenos pormenores como ser passada em Amesterdão, as dúvidas levantadas pelo quadro e todo o mistério obscuro à sua volta, convenceram-me que A Casa do Boticário era uma boa aposta. Felizmente, cumpriu o que me prometeu!

Adrian Mathews consegue algo que poucos escritores, a meu ver, conseguem; aliás, de repente, só me consigo recordar de duas escritoras que o façam, Juliet Marillier e Michelle Lovric. Estou-me a referir à adaptação do leitor ao ambiente do livro. A forma como Adrian descreve Amesterdão, com os seus canais, o seu frio, o seu nevoeiro, é extremamente real, e damos por nós com a sensação de que também estamos lá, também fazemos parte do imaginário da obra. Ficamos com a impressão de que conhecemos as ruas que o autor descreve, que já vimos as casas e lugares que o autor menciona, tudo por causa da sua mestria na descrição e projecção do mundo imaginário para o real. Posso dizer que é uma viagem por Amesterdão - embora não exclusivamente - maravilhosa.
A trama, em si, está muito bem pensada. Se bem que A Casa do Boticário não pode ser lido de ânimo leve (há passagens um pouco mais complicadas de absorver, pois há um elevado nível de informação importante), uma vez mais a mestria da escrita de Adrian consegue embrenhar-nos de tal modo que essa informação não nos distrai nem nos cansa, mantendo a agradabilidade do livro.

“«Já têm aquecimento na administração?», perguntou uma das bibliotecárias, enquanto Myles preenchia a requisição.
«Temos», respondeu Ruth. «Mas ainda estamos à espera de que os nossos cérebros descongelem.»
A rapariga levou a requisição e Myles sentou-se na grande mesa de carvalho. Ruth tentou pendurar-se num radiador, aquecendo as mãos e as nádegas ao ponto do desconforto físico.
«Então, é aí que tens o cérebro?», comentou Myles.
Em resposta, ela ergueu o dedo médio.”

Para além do envolvimento do leitor no ambiente descrito, Adrian consegue criar personagens deliciosas e diferentes. E sempre com sentido de humor. A personagem principal, Ruth, é extremamente bem trabalhada, assim como quem está por trás de todo o esquema, que eu só descobri mesmo nas páginas finais. Desconfiei de muitas personagens, mas nunca esperei que fosse aquela a que estava a maquinar tudo. É um final excelente, numa narrativa em que o mistério e o bom humor, assim como um pouco de drama e mesmo a sensação iminente da morte, andam juntos.
O autor usa várias expressões estrangeiras, ora em holandês, ora em alemão, ora em francês... decisão que o tradutor respeitou, não traduzindo as expressões. E normalmente eu opôr-me-ia a tal; mas o encanto e o impacto deste livro em mim foram tão fortes que, sinceramente, nem me importei.

Aconselho A Casa do Boticário a toda a gente. Não posso afirmar que só serve para quem gosta de thrillers, pois tem uma carga emocional grande, nem que serve só para quem gosta de dramas e romances, pois tem uma sombra de mistério que chega a todo o lado. Basicamente, é um livro a ler, por todos!

2 comentários :

  1. Olá,

    Ena devo estar a passar ao lado de um excelente livro, pelo que percebo.

    Tudo muito bem organizadinho nos teus comentários, impecável ;)

    bjs

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Obrigada por comentares :)