[Desafio Literário Outubro] O Reinado do Amor, de Alice Lázaro - Opinião [Chiado]

outubro 28, 2013

Título: O Reinado do Amor
Autora: Alice Lázaro
Editora: Chiado
Ano de Publicação: 2013
Número de Páginas: 436

Desde que me cruzei pela primeira vez com este livro que o mesmo me fascinou. Para além de a capa ser lindíssima, o conteúdo do livro pareceu-me simplesmente fantástico. Um pedaço de História, da nossa História, nas nossas mãos, para ser lido e re-lido, interiorizado, para nos sentirmos um pouco mais dentro do Portugal de outrora.

Devo confessar, no entanto, que este livro não é o que eu esperava. Ou, melhor dizendo, é o que eu esperava e mais alguma coisa. É difícil de explicar o quão bom e importante é O Reinado do Amor. Não estamos apenas perante um maço de cartas escritas por D. Teresa de Melo à Rainha D. Maria I. Estamos perante um documento de valor histórico enorme, onde nada é deixado ao acaso. Alice Lázaro não se limita a expor as cartas para lermos: contextualiza todo e qualquer pormenor que seja necessário para uma melhor compreensão das cartas, das pessoas que viveram então, do nosso país naqueles tempos.
Confesso que é uma leitura um pouco complicada: este é um livro que não pode nem deve ser lido de ânimo leve, devido ao seu conteúdo. É um assunto demasiado sério e alguém que não tenha grande interesse em História provavelmente pensará que se trata de uma obra maçadora, aborrecida e facilmente descartável. Eu, enquanto apreciadora de História, tive alguma dificuldade em acertar com o ritmo de leitura, precisamente por ser um pouco difícil. Mas basta o leitor estar minimamente interessado no assunto para rapidamente se perder nas páginas e nas notas de rodapé (as notas de rodapé!).
Estamos perante um trabalho de pesquisa fenomenal. Nada é deixado ao acaso. Nada. Apenas se pode tirar o chapéu a tão brilhante compilação. E sabendo que este não é o único livro de Alice Lázaro, fico com mais vontade de conhecer a sua restante obra, pois acredito que a boa qualidade estará presente em cada volume.
Só há um pormenor que não me agradou tanto, mas que é imprescindível. As notas de rodapé são muitas. E facilmente me distraí do contexto da obra ao ler as notas, mas percebo que sejam absolutamente necessárias para a melhor compreensão do assunto.

Infelizmente, este livro não é para todos. Não estou a fazer distinção entre bons e maus leitores, longe de mim. Apenas fico triste que a História de Portugal não conquiste mais Portugueses. Espero sinceramente que Alice Lázaro tenha os leitores que merece.

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1 comentários

  1. Olá,

    Fiquei com a sensação de estarmos perante uma obra muito interessante, um trabalho de pesquisa muito bom, mas que acaba por ser um livro demasiado descritivo, mas necessário para aprofundar o tema.

    Eu gosto deste tipo de livro, mas se for muito descritivo já me custa mais, onde quase não há ação, aventruas, mistério, mas confesso que fiquei curioso...já me conheces um pouco recomendas-me ?

    Bjs e boas leituras :)

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.