segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Last Train to Istanbul, de Ayse Kulin - Opinião

Título: Last Train to Istanbul
Título Original: Nefes Nefese
Autora: Ayse Kulin
Editora: Amazon Publishing
Ano de Publicação: 2013 (Outubro)
Número de Páginas: 448

Last Train to Istanbul (em tradução livre, O Último Comboio Para Istambul) foi um tiro no escuro. Não conhecia a autora, nunca tinha ouvido nem lido nada sobre o livro, foi uma decisão no momento: vou tentar ler este! Na tomada de decisão, pensei que tanto o tipo de história, passada durante a Segunda Guerra Mundial (momento que me agrada sempre), e a capa (são sempre as capas...) venceram o desconhecimento relativo à obra. E, assim, embarquei nesta aventura...

No geral, gostei bastante do livro. Mais até do que esperava gostar. Ayse Kulin, a autora, de nacionalidade turca, vinca bem o seu país. Quando nos escreve sobre a sua Turquia, sentimos naquelas palavras que há mais do que simples conhecimento geográfico e/ou histórico: há carinho e há uma vivência naquele mundo, que nos imprime uma presença mais próxima através do que estamos a ler. Apesar de não ser a primeira obra em que Ayse viaja na História, em Last Train to Istanbul o trabalho de pesquisa pareceu-me bastante bom, e o modo como está escrito vai muito além de constatações históricas. Há um dramatismo muito grande, uma tensão muito violenta nas discussões políticas que vão tendo lugar ao longo do livro. E mesmo assim Ayse conseguiu trazer-nos esses jogos políticos de uma maneira bastante despretensiosa, mantendo o nível de seriedade ao mesmo tempo equilibrado e real.
No entanto, quando acabei de ler o livro, pareceu-me que faltava qualquer coisa. Não consigo ainda bem explicar o quê, mas talvez algo... mais sólido? Vou tentar explicar. No início do livro conhecemos a família de Fazil Resat Pasa, e as suas duas filhas, Sabiha e Selva. Sabiha é casada com Macit, que trabalha para o Governo Turco, e Selva casa-se com Rafo, um judeu, o que obriga o casal a cortar relações com o seu país e a encontrar refúgio em França. E eu pensava que a história se fosse passar com este drama, e tudo girasse à sua volta. O que acaba por acontecer, ligeiramente. De repente temos uma série de outras personagens, que se ligam entre si através de Sabiha e Selva, mas que têm os seus rumos paralelos, o que impede um pouco o desenvolvimento da família original. De um momento para o outro, as coisas acontecem entre Sabiha, Macit e a filha de ambos, e entre Selva e a família. Gostava de ter visto uma evolução mais natural e mais trabalhada, deixando todos os outros personagens - Kender, Ferit, Tarik, Margot, Evelyn, David, entre outros - para um papel muito mais secundário, embora reconheça a sua importância no desenrolar dos eventos. Esta falta de desenvolvimento da trama de Sabiha e de Selva é mesmo o único aspecto negativo que posso apontar ao livro. No entanto, mesmo neste ponto entro um pouco em contra-senso comigo mesma, pois todas as outras personagens são tão boas. Faço-me entender? Apesar de ter ficado com a sensação de que faltava algo mais devido à dispersão da história, as restantes personagens, especialmente Ferit, Kender e Tarik são absolutamente necessárias para a narrativa: as suas acções são cruciais, marcando ora pontos de viragem, ora o curso que as outras personagens seguem.
Apesar de tudo, nenhum destes personagens é o meu favorito. A parte que mais gostei no livro, a parte que mais me sensibilizou, foi muito perto do fim, já dentro do comboio. A história de Kohen e Siegfried - que rapidamente se tornaram os meus personagens preferidos. Uma história tão bonita, acompanhada ao violino, com um final tão triste. Outro ponto alto do livro é quando Sabiha começa a fazer sessões de terapia com o Dr. Sahir, e o que daí se desenrola. Não podendo entrar em muitos pormenores, este episódio é precisamente dos tais que merecia ser mais desenvolvido. E a parte final do livro, em geral, a parte da viagem do comboio, também ela é muito bem conseguida. Pelo outro lado, temos algumas passagens que me chocaram verdadeiramente: soldados da Gestapo a obrigarem os homens no meio da rua a despirem as calças e roupa interior para saberem se eram judeus, e quando oitenta judeus foram enfiados num vagão de gado para serem mandados para campos de concentração. As descrições destas (e de outras) cenas é bastante forte, bastante visual, e foi algo que custou a engolir.

Concluindo, para amantes como eu de romances desta época da História, aconselho vivamente. Apesar de eu ter lido esta edição, o livro é facilmente encontrado em Português. Last Train to Istanbul acaba por ser uma história bastante poderosa e bem contada da luta da Turquia durante a Segunda Guerra Mundial (apesar de eu querer saber mais de Sabiha e Selva!).

2 comentários :

  1. Olá,

    Nunca tinha reparado no livro, deve ser comovente tal como cruel, pelo que parece estamos na presença de um livro bem interessante.

    Gosto quando o enredo é baseado em factos verídicos e que acabam por ser bem desenvolvidos :)

    Bjs e boas leituras :)

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    1. Olá Fiacha!

      Sim, ao que sei a parte da luta da Turquia para salvar os seus cidadãos foi mais ou menos como está descrita no livro. Mas lá está... queria ler mais sobre a Sabiha e a Selva :P

      Beijinhos e obrigada pela visita!

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