Livros para o Dia das Bruxas - 21 de Outubro

outubro 21, 2013

Danação, de Marcus Achiles

Em Maio de 1734 Taubaté era uma vila sitiada e aterrorizada. A cada sexta-feira seus moradores repetiam o mesmo ritual perturbador das semanas anteriores, enterrando corpos queimados encontrados nas matas. Uma intolerância comparável apenas ao medo diante de um adversário oculto e invencível logo jogou colonos e militares contra os índios abrigados em aldeias próximas. Para os crentes, no entanto, aquele pedaço de terra e suas três mil e poucas almas eram uma nova Sodoma, condenada por Deus a ser consumida pelas chamas. É nesse pandemónio de fanatismo, fúria e violência que chega a Taubaté o mais maldito dos homens, perseguido pelo maior dos inimigos e guiado por um anjo. Ele é Diogo Durão de Meneses, um senhor de engenho a quem a tão desejada morte era negada há quatro anos. Um forasteiro, destinado a enfrentar um ser que desafiava toda razão e fé – e que, nos séculos seguintes, seria imortalizado no imaginário de um povo. DANAÇÃO não é apenas um romance que transporta o leitor para o Brasil do século XVIII. Em suas páginas estão mais do que o dia-a-dia no interior de uma colónia inóspita, com seus costumes fielmente retratados. O livro é também uma passagem para outra dimensão, na qual seres imaginários – que séculos atrás povoaram os medos dos homens – criam vida. E onde o Mal deixa os sermões dos padres e se torna tangível e implacável. DANAÇÃO busca dar ao folclore brasileiro contornos inéditos, unindo o mais puro realismo fantástico aos dramas verdadeiros de negros, brancos e índios em uma época de incerteza e provação.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.