Maya, de Alastair Campbell - Opinião [Bizâncio]

outubro 15, 2013

Maya
Título: Maya
Título Original: Maya
Autor: Alastair Campbell
Editora: Bizâncio
Ano de Publicação: 2012
Número de Páginas: 352

A fantasia e a irrealidade do mundo da fama e do sucesso

Maya foi uma leitura que me foi sugerida. Apesar da história me interessar, receava que fosse ou demasiado cliché ou demasiado aborrecida, e quando peguei no livro para começar a ler ainda me sentia um pouco com o pé atrás, pois não sabia o que aí me esperava.

Alastair Campbell traz-nos uma trama contada por Steve, o melhor amigo da famosa actriz Maya. Mas é um amigo, no mínimo, estranho. É difícil falar abertamente deste livro, pois rapidamente se deixam escapar os spoilers, mas vou tentar manter-me o mais fechada possível.
Apesar de haver certas alturas na narrativa em que podemos facilmente antever o que se vai passar, à medida que os acontecimentos se desenrolam damos por nós cada vez mais embrenhados em Steve. É uma personagem extremamente bem construída, é a personagem que nos conta a história na primeira pessoa, e é a personagem que odiamos mas que não conseguimos ignorar. Já Maya, conhecemos maioritariamente através das palavras de Steve e dos media (as suas acções são apenas exemplos das opiniões públicas e privadas), a sua personagem não é tão elaborada quanto Steve, chegando mesmo a apresentar sinais de passividade, ingenuidade e fraqueza, e este contraste entre Maya e Steve torna a história ainda mais interessante. O desenvolvimento de Steve é de loucos, sabemos o que lhe passa na cabeça e isso repugna-nos, ao passo que o desenvolvimento de Maya vai no sentido contrário, se bem que a determinado ponto desliguei-me da personagem, principalmente devido a alguma falta de personalidade. São, no entanto, personagens muito trabalhadas, quase reais, e todas as restantes personagens chegam até nós com alguma dessa realidade.
O avançar da história é também muito bom. Percebemos que algo de grande se vai passar, e somos preparados para tal ao longo de 300 páginas. O ritmo é alucinante, cada vez maior e mais rápido, e quando atinge o auge, em poucas folhas tudo termina. A minha primeira reacção foi acaba assim, tudo tão rápido?, e depois pensei melhor, e sim, é assim que o auge deve acabar. Se tivéssemos páginas e páginas com o auge este perderia toda a emoção e impacto que tem, e até neste ponto Campbell acertou. As páginas pós-auge surgem como um bom descanso, um bom e desejado fim.
O que me deixou com mais pena neste livro foi a criança ainda por nascer - e agora vocês pensam, de quem, de quem? Pois é... leiam o livro e descubram ;)

Maya é sem dúvida um bom livro. Escrito de uma forma inteligente, com personagens bem trabalhadas, é, bem lá no fundo, um espelho daqueles que teimamos em não ver, ou porque nos faz mais gordos, ou porque nos faz demasiado magros, ou altos, ou baixos, ou deformados - esperem, deformados? Hmmmmm...

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2 comentários

  1. Olá,

    A prova que para se escrever uma boa história não é necessário efetuar trilogias / sagas / cronicas, algo que cada vez se vê mais.

    Deixaste-me curioso com saber que é o Pai da criança por nascer e a mãe claro :D

    Bjs e boas leituras

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    1. Olá Fiacha,

      É exactamente isso. Num único volume temos uma história excelente ^^ Hehehe curioso? Era o objectivo :P

      Beijinhos

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.