[Desafio Literário Novembro] Necroforms, de Paul Melhuish - Opinião

novembro 05, 2013

Necroforms
Título: Necroforms
Autor: Paul Melhuish
Editora: Grayhart Press
Ano de Publicação: 2001
Número de Páginas: 24

Estava indecisa quanto à minha leitura do mês de Novembro. Decidi dar uma vista de olhos pelos livros que tenho no Kindle, e encontrei este Necroforms, de Paul Melhuish, e pareceu-me uma boa escolha. Por ser uma short story, por ser um autor que não conhecia, pelo próprio género, tudo indicava que era o livro perfeito.

Necroforms conta a história de um jovem, James Guest, que tem de tratar do funeral da mãe, com quem não tinha uma relação muito boa, e como se não bastasse, a sua irmã desaparece do mapa. A ida à velha casa da mãe revela-se uma surpresa, e a partir daí James conhece uma realidade um pouco diferente.
A história promete. É um conceito já usado, mas mesmo assim bem explorado por Paul Melhuish. Temos vários elementos clássicos de um conto de terror, bem trabalhados. Temos a aura de mistério que fica por trás dos acontecimentos e as desconfianças relativas a certas personagens. Temos o conceito da assombração, como se alimenta e de quem se alimenta.
Mas, no final, temos o Necroform. E esta figura foi algo que me ultrapassou. Não foi pela grosseria ou pelo choque da imagem, mas sim pela vulgaridade. Apesar de a história ir numa direcção óbvia, penso que a revelação do Necroform deveria ter tido mais impacto, se calhar não apostar em algo tão violento e sim em algo mais sinistro. Todo o livro demonstra qualidade para tal, para um final melhor desenvolvido e com outro tipo de sentimento, não tão grotesco. Compreendo que tenha sido escrito com esse objectivo, mas eu enquanto leitora preferia ler um sinal mais assustador psicologicamente.
Tenho pena que o autor não tenha desenvolvido mais alguns aspectos da narrativa, como a relação dele com a mãe e com a irmã. O próprio mito do Necroform podia ser melhor trabalhado, assim como as personagens da funerária.

No final, acaba por ser um bom conto. Apesar de considerar que umas quantas páginas de explicações e apresentações de personagens não lhe ficavam nada mal, para os leitores que procuram um pequeno conto ligeiramente assustador, Necroforms é uma boa aposta.

Continua disponível para download gratuito, na Kindle Store [aqui].
 Escrito em Inglês.

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2 comentários

  1. Olá,

    Indeciso com o teu comentário, mas acho que vou passar ao lado :)

    bjs

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    Respostas
    1. Olá Fiacha,

      Não é um livro mau. Mas aquele final... é duvidoso. :)

      Beijinhos

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.