[Desafio Literário U] Uma História de Amor, de Miguel de Unamuno - Opinião

novembro 23, 2013

Contos Amores (Biblioteca de Verão JN 2011, #20)
Título: Uma História de Amor
Autor: Miguel de Unamuno
Editora: Rosto Editora
Ano de Publicação: 2011
Número de Páginas: 41

Não foi fácil, encontrar um autor com a letra U, mas felizmente encontrei este pequeno conto, Uma História de Amor, e pareceu-me ser perfeito para o Desafio Literário. Nunca tinha ouvido falar de Miguel de Unamuno (na minha ignorância chegando mesmo a pensar que seria português, confesso), e sentia-me confiante, com a expectativa de ler um bom conto de Amor.

É, provavelmente, das coisas mais tristes que alguma vez li. Toda a história em torno dos amantes é tão cruamente descrita e quase tão real que é comovente de se ler. Dois jovens, que insistem em se apaixonar, e que não conseguem. A própria ideia por trás desta premissa é de si assustadora: duas pessoas tão novas, que pensam que têm de se apaixonar, para não magoar o outro; e cada um à sua maneira procura novas e definitivas maneiras de arranjar no seu coração espaço para o par. Não posso desenvolver mais a história senão acabaria por contar o grande final, mas é tudo tão triste, tão... doloroso.
Conhecer o autor foi também uma experiência agradável. Para além de ter ficado a saber que Miguel de Unamuno é espanhol, fiquei curiosa em ler mais obras suas, confesso que com uma certa esperança de encontrar mais sobre este lado tão sombrio e tão penoso.
Apesar do que é dito na sinopse de Uma História de Amor, algo em mim - talvez, uma vez mais, a ignorância!, ou, quem sabe, um eterno pensamento romântico - ignorou por completo a sátira e o retrato da sociedade. Fiquei presa naquelas palavras tão tristes e fatalistas, e embora compreenda e reconheça os restantes elementos, não consigo deixar de olhar para trás e ver aquele infeliz casal. "Ide e pregai a boa nova em todas as nações!"

É curioso que enquanto li o conto não senti metade das sensações que sinto agora ao recordá-lo, enquanto escrevo estas palavras. Ultimamente tem-me acontecido com alguma frequência, este espaço entre acabar de ler um livro e começar a escrever sobre ele, recordar-me do livro, senti-lo de outra forma, altera por completo a minha posição relativamente à obra. No caso de Uma História de Amor, ao passo que enquanto a lia ia-me perguntando, talvez com uma certa impaciência, onde tudo aquilo iria dar, agora olho para o pequeno livro na estante e penso em como no seu interior há uma história de amor incrivelmente triste e negra.

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4 comentários

  1. Olá,

    Eis venho aqui à tanto tempo e só agora me apercebi do teu objetivo literário, mas mas que bem e está prestes a ser concluído :)

    Parece-me um livro interessante, pelo menos tem uma história de amor algo diferente do habitual :)

    Bjs

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    1. Olá Fiacha,

      Hehehe eu também o único destaque que dou aos Desafios é no título. Confesso já estar um pouco cansada deles, para o ano não vai haver nenhum xD Mas agora quero acabá-los. Como disseste, já está quase :)

      Sim, se tiveres oportunidade de ler, lê-se bem. Sei que não és fã de contos, mas quem sabe um dia pegas num e adoras ;)

      Beijinhos e boa semana

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  2. Concordo inteiramente com a tua opinião... uma história triste.... mas gostei!
    Teresa Carvalho

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    1. Obrigada pela visita, Teresa!

      Ainda este ano estive perto de comprar mais um livro do autor, mas vou deixar para outra ocasião...

      Beijinhos

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.