Um Conto, Um Ponto #7: A Outra Mulher, de Sherwood Anderson

novembro 23, 2013

Contos Amores (Biblioteca de Verão JN 2011, #20)
Título: A Outra Mulher
Autor: Sherwood Anderson
Editora: Rosto Editora
Ano de Publicação: 2011
Número de Páginas: 12

"-Eu gosto da minha mulher - disse ele, numa observação supérflua porque eu não pusera em dúvida seu amor pela mulher com quem se casara. Andámos durante dez minutos e ele tornou então a repetir a frase. Voltei-me para encará-lo. Voltou a falar e contou-me a história que neste momento procuro narrar."

Assim começa A Outra Mulher, um pequeno conto de uma aventura amorosa que um homem levou a cabo pouco antes do seu casamento, mas sempre insistindo e reforçando o quanto gostava da sua actual mulher. É sem dúvida uma história interessante, mas quanto a mim, falta-lhe ali alguma coisa mais. Talvez mais emoção, ou mais apego relativo à história. Fiquei sem a ideia ao certo do que aconteceu com a outra mulher, e temo não ter percebido na totalidade o rapaz que se aventurou para lá da sua relação. Fiquei mesmo com a ideia de que o discurso, contado por outra pessoa, era um pouco incoerente, de um parágrafo para o outro havia uma espécie de corte de ideias, num momento fala da outra mulher como a seguir fala do quanto gosta da sua esposa. Torna-se um pouco confuso e quase insano, como se houvesse um sentimento de culpa muito grande, ou uma tentativa de convencer(-se) a sua atitude e sentimentos. Concluindo, não percebi completamente o conto: afinal o rapaz sente remorsos, saudade, alegria, nostalgia, ou seja o que for, do que o que quer que tenha acontecido?

Apesar da minha indecisão, este conto é facilmente aconselhável, quanto mais não seja para tentar perceber o que outros leitores pensam acerca da história. O autor em si, Sherwood Anderson, parece-me um bom escritor, mas nada mais conheço seu. A Outra Mulher está inserido num pequeno livro de contos, de uma colecção que o JN fez há dois anos atrás e retomou este ano, sendo portanto fácil de encontrar. A quem já leu este conto... o que acharam? Partilham da minha incompreensão ou conseguiram chegar ao cerne da questão?

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.