domingo, 1 de dezembro de 2013

A Herança Bolena, de Philippa Gregory - Opinião [Civilização]

Título: A Herança Bolena
Título Original: The Boleyn Inheritance
Autora: Philippa Gregory
Editora: Civilização
Ano de Publicação: 2007
Número de Páginas: 470

Ávida de continuar a leitura da saga dos Tudor, mal pude conter a alegria quando A Herança Bolena chegou cá a casa. Não o pude ler de imediato, mas estava na estante constantemente a piscar-me o olho, e quando o comecei a folhear, foi como se deixasse de existir neste mundo. É o poder que Philippa Gregory tem sobre mim.

Neste terceiro volume da série Tudor, há uma evolução temporal, deixando a rainha Jane Seymour para trás, após a sua morte prematura devido a complicações do parto. É então encomendado o casamento do rei Henrique VIII com Ana de Clèves, mas a chegada desta à corte não será fácil e as meninas bonitas continuam a ser a perdição deste famigerado Rei.
Mais uma vez, Philippa Gregory consegue deixar-nos completamente hipnotizados pelas sua escrita. Estamos, sobretudo, perante três personagens bastante diferentes e complexas, cada qual com uma voz própria, perfeitamente identificáveis nas páginas, tamanha personalidade a autora conseguiu imprimir nas palavras de cada uma. Temos Ana de Clèves, princesa alemã e quarta esposa do rei, uma jovem vítima de violência psicológica por parte do seu tirano irmão, cujas palavras são rígidas, correctas, receosas, quase a tocar o rústico; após um inesperado acto de libertação, Ana transforma-se numa jovem alegre e feliz, ainda sob a sombra do medo, mas determinada. Depois temos Catarina Howard, uma criança parente dos Howard e Bolena, que mais uma vez se torna um peão nos interesses familiares; a sua voz é inocente e pequena, vaidosa e irreflectida, apaixonada e ingénua. Apesar da sua futilidade, não conseguimos ficar indiferentes ao facto de Kitty ser apenas uma criança, acabada de entrar na adolescência, e simpatizamos com ela - é mais forte do que nós. Por fim, volta Jane Bolena, personagem que muito me surpreendeu nesta obra. Em Duas Irmãs, Um Rei Jane é vista como uma espia detestável e de quem se deve manter a distância. Apesar de nesse livro Jane não ser uma personagem constante mas sim uma espécie de mosca, presente mas ignorada, em A Herança Bolena salta para as luzes da ribalta, mostrando-se e mostrando-nos o seu outro lado. É uma jovem viúva terrivelmente amarga, fraca e sem vontade própria, cujo arrependimento, misturado com a negação, enegrecem os seus dias. Vemos Jane como uma rapariga apaixonada e amorosa com os outros, para sempre a carregar o fardo das mortes do seu marido e da sua cunhada. E com estas três personagens, principalmente, se faz um livro fantástico.
Em A Herança Bolena, há uma espécie de final, embora não seja o final da série. Mas a história de Henrique VIII acaba, com a sua própria morte descrita no livro. E apesar de saber que a série não se fica por aqui, uma parte de mim sentiu um vazio enorme, por saber que aquela era a despedida do rei que outrora fora o príncipe mais belo da Cristandade. A própria degradação desta personagem é descrita ao longo de toda a série, e neste terceiro volume é inevitável não sentirmos nojo, com as detalhadas descrições das enfermidades Reais. Apesar de ser um adeus a esta personagem, a autora trabalhou o livro e a história tão bem que a despedida surge como algo natural e expectável, triste mas impondo-se ao desenvolvimento da trama, e com a promessa de que para a próxima há mais personagens para amarmos.
Não me posso alongar muito mais sobre a narrativa deste livro, pois corro o risco de revelar demasiado, e a história é, já dela, sobejamente conhecida. Mas tudo, desde o interior das personagens, ao pormenor das descrições dos ambientes, fazem desta obra uma peça magnífica e, embora fantasiada, conseguimos de facto aprender algumas coisas.

Repetirei isto para o resto da minha vida: leiam Philippa Gregory. Pelo menos, a série Tudor. Estou ansiosa para ler a continuação mas, se não tivesse mais que ler, relia de bom grado A Herança Bolena, as vezes que fossem necessárias. É um romance histórico deliciosamente intrincado, com personagens vivas e revelações interessantes, com intrigas e erotismo q.b. Tem de agradar a gregos e troianos.

2 comentários :

  1. Ois,

    Já não sei o que dizer, tem que ser não é ? A ver se consigo arranjar quer os livros quer tempo, pois devem ser mesmo ao meu gosto ;)

    Bjs

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  2. Não poderia concordar mais com a tua opinião, Philippa Gregory tem um dom para criar romances históricos extraordinários :)

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Obrigada por comentares :)