sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Amores Contados, de Vários Autores - Opinião [Alfarroba]

Amores contados
Título: Amores Contados
Autores: Ana Ferreira, Cristina Milho, Francisco Vilaça Lopes, Jorge Campião e Rosa Bicho Gonçalves
Editora: Alfarroba
Ano de Publicação: 2013
Número de Páginas: 84

Confesso que estive bastante tentada a participar no concurso literário da Alfarroba que originou este Amores Contados, mas devido a vários motivos não o fiz. Estava, no entanto, muito curiosa para ler os vencedores e foi com imensa expectativa que recebi este pequeno livro. Nenhum nome me era familiar, portanto esperava que as oitenta e quatro páginas fossem uma verdadeira surpresa. E foram. Surpresas boas e más.
Como vem sendo habitual, como se trata de contos, vou comentar um por um.

Uma Questão Matemática,
de Ana Ferreira

A abordagem deste conto é bastante interessante, com a Matemática (essa minha velha némesis) a invadir o mundo das letras no início de cada capítulo, quantificando o amor, fazendo da felicidade uma ciência. No entanto, o desenvolvimento dos capítulos não me agradaram como eu esperava. Com tanto potencial demonstrado na originalidade dos problemas matemáticos, esperava um pouco mais da história em si, que não me pareceu nem boa, nem má. Apenas não a senti, se bem que acredito que talvez não a tenha lido no momento certo, pois há ainda algo nela que me chama a atenção. O quê, não sei; mas de hoje para amanhã talvez descubra.

As Fotografias Falam Baixinho,
de Cristina Milho

Não consegui gostar deste conto, pois achei que tinha uma tremenda falta de originalidade. Temos uma idosa que através de uma fotografia recorda um momento feliz da sua vida, mas nem sequer percebemos o que afinal aconteceu ou deixou de acontecer entretanto. Apenas que a senhora conheceu um rapaz nos seus tempos de juventude, e foi feliz. Mais nada. O resto do texto, se bem que muito bem escrito, parece-me meramente acessório, anda ali às voltas da história sem a desenvolver nem a acabar.

Amor de Viagem,
de Francisco Vilaça Lopes

Lamento a quem me esteja a ler, mas não posso comentar este conto. Simplesmente, porque não o percebi. Li duas vezes, e fiquei a perceber o mesmo. Falhou-me alguma coisa no raciocínio, e não consigo deslindar a história por trás das palavras. Se desse lado alguém me puder explicar este conto, então comprometo-me a lê-lo uma terceira vez e a comentá-lo como deve ser.

Confesso que a este ponto do livro estava a ficar preocupada. De cinco contos, tinha lido três, que não me tinham propriamente conquistado. Receava que os dois seguintes me afundassem cada vez mais na leitura triste de Amores Contados mas, felizmente, houve uma reviravolta muito grande.

Café Avenida,
de Jorge Campião

Acabei de ler este livro na segunda-feira e ontem ainda estava a falar deste conto em específico. Não sei até que ponto é que a visão do autor é nova; mas para mim é, e adorei ler o seu conto. Fez-me reflectir imenso, ligar-me com os personagens, desejar saber a verdade e temer como eles. E aquele final... É um bom final. Não é definitivo, a não ser que o leitor o queira. Muito bem.

Um, Dois, Três,
de Rosa Bicho Gonçalves

Mais um conto que não prima pela originalidade, mas que me deu imenso prazer a ler. Apesar de no início estar a achar tudo um pouco rápido e aborrecido de mais, assim que apanhei o ritmo que penso que a autora quis imprimir nas suas palavras, facilmente me desliguei de tudo o resto e desesperei com a personagem. É um conto triste e previsível, mas a forma como está escrito, o sentimento que trespassa do papel, é demasiado forte para ser ignorado.

Concluindo, apesar de nem todo o livro me ter agradado, sem dúvida os dois contos finais recompensaram a leitura dos que não me satisfizeram tanto quanto eu queria. Só por estes dois contos, vale definitivamente a pena ler. Se tivesse de escolher apenas um destes contos, então Café Avenida seria a minha escolha, pois considero-o sem dúvida o melhor conto desta compilação.
Por fim, há ainda um último pormenor que não posso deixar passar: a Alfarroba tem um cuidado estético com o livro que é uma delícia para os olhos folhear as suas páginas. Deste Amores Contados em particular, o trabalho está simplesmente belo.

Estou agora curiosa em saber o resultado do corrente concurso da editora (para os mais distraídos, informações aqui). Para o ano, quem sabe o que nos espera?

"Antes de Amar

Conta-me. Conta-me como me conheceste, como me deste o primeiro beijo. Conta-me das mãos dadas e dos olhos brilhantes. Conta-me do nosso início e do nosso fim. Ou só do nosso início. Ou só do nosso fim. Conta-me do meio. Conta-me do nosso amor de verão, do nosso casamento. Fala-me disso tudo, diz-me coisas dos nossos netos. Ou então de nunca mais me teres visto depois da nossa única noite. Conta-me tudo.
(...)
Alfarroba"

9 comentários :

  1. Acho que ninguém, e digo mesmo ninguém, percebeu o conto do meio -.-''

    O meu preferido também foi o terceiro :p

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    1. Hehehehe será? Talvez ainda alguém o consiga entender :)

      Só não percebi uma coisa, qual foi o teu favorito mesmo?

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    2. O quarto *oops* o Café Avenida :)

      Naaaa... já falei com 5 ou 6 pessoas e ninguém gostou nem percebeu :p

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    3. O 4º oops "Café Avenida"

      Naaaa, já falei com 5 ou 6 pessoas e nenhuma gostou ou compreendeu esse conto :p

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    4. =) Sim, o Café Avenida realmente está muito bom! :)

      Bem, pelo menos o autor deve-o ter entendido. Mas não deve ser nada agradável escrever-se um conto, que é publicado, e ninguém perceber nada =S

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    5. Hello? Qual é o amor que existe num velho a partir pernas a um rapaz novo, um pai a deixar o filho à fome no celeiro e nem me faças falar no casal de amantes na gruta ... será que só foi publicado com cunhas? É que aquilo está horrível!

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    6. Hahaha e pelos vistos conseguiste perceber bem mais do que eu :P A única parte que consegui deslindar foi um sapo debaixo de um baú!

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    7. Que sapo? o.O O meu cérebro deve ter -se desligado nessa parte xD

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    8. Hahaha acho que já nem é preciso dizer mais nada xD

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Obrigada por comentares :)