[Desafio Literário Dezembro] A Árvore de Natal, de Fiódor Dostoiévski - Opinião

dezembro 08, 2013

Desafio Literário #1
Título: A Árvore de Natal
Título Original: Ёлка и свадьба
Autor: Fiódor Dostoiévski
Editora: Rosto Editora
Ano de Publicação: 2011
Número de Páginas: 12

E com A Árvore de Natal encerro o primeiro Desafio Literário do Eu e o Bam, e não podia estar mais contente por ter conseguido acabá-lo. E em beleza! Em mês de Natal, acabar com um conto natalício e da autoria de um dos melhores autores que conheci este ano. Que podia ser melhor? E aos mais atentos, eu sei que não falei de Dostoiévski antes aqui no blogue. Mas não quer dizer que não o tenha lido ao longo do ano. Só que é material para 2014 :)

A Árvore de Natal, cujo nome verdadeiro é A Árvore de Natal e um Casamento, é um pequeno conto, onde o narrador descreve uma festa de Natal onde foi, e um casamento como consequência de uma acção decorrida nessa festa. É um conto extremamente fácil de ler, com uma linguagem simples e uma mensagem clara e directa.
Achei bastante interessante a maneira como o narrador presencia tudo mas não toma acção de nada. É um narrador bastante interessante, na sua maneira de interagir com a história. Através dele, vemos como numa festa de Natal, época supostamente dada a solidariedades, igualdades e outros -ades, a divisão entre ricos e pobres, poderosos e insignificantes, é feita, até mesmo nas crianças, com uma pesada ponta de crueldade. É também através dele que conhecemos Julião Mastakovitch, uma personagem nojenta e depravada, que sendo rico e influente como é, é bajulado por todos. Em poucas linhas Dostoiévski consegue criar uma crítica social inteligente, com personagens bem desenvolvidas ao ponto de gerar ódio e repulsa ao leitor, e personagens inocentes que apelam à compaixão desses mesmos leitores.
Pouco há a acrescentar a este pequeno conto. O seu fim é previsível, mas mesmo assim, a sensação que ficamos ao acabar de ler as palavras deste génio russo, é de um gosto imenso.

Aconselharei sempre Dostoiévski, e apesar deste conto ter muito pouco de natalício, porque não lê-lo durante este mês?

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2 comentários

  1. Olá,

    Muito bem, grande maratona foi este desafio literário, parabens por o conseguires cumprir.

    Apenas li Crime e Castigo e não é facil, isto é gostei mas não devo repetir tão cedo :D

    Bjs

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    Respostas
    1. Obrigada caro Fiacha!

      Pois, acredito que tenha sido uma experiência boa mas cansativa, mas pronto... Dostoiévski é sempre bom :P

      Beijinhos e boa semana

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.