quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Memórias de um Mestre Falsário, de Graham Joyce - Opinião [Bizâncio]

Título: Memórias de um Mestre Falsário
Título Original: How to Make Friends with Demons
Autor: Graham Joyce
Editora: Bizâncio
Ano de Publicação: 2009
Número de Páginas: 299

Graham Joyce apaixonou-me desde o primeiro livro que li seu, Os Factos da Vida. Mal tive oportunidade de ler outra obra sua, não hesitei, e assim Memórias de um Mestre Falsário veio parar às minhas mãos. As expectativas para esta leitura eram muito altas, e não fiquei desiludida.

A história é acerca de um homem, William Heaney, que escreve poesia para um amigo - poesia muito apreciada - e que tem como ocupação falsificar livros antigos e raros, cujo lucro reverte a favor de uma associação solidária. Entre bebidas e demónios, a vida deste personagem vai-se desenrolando, num caminho um pouco negro, ao mesmo tempo que outras revelações acerca da sua vida são relatadas.
A forma como Graham Joyce escreve é simplesmente viciante. É muito simples e de fácil interpretação, com um ritmo rápido e agradável. Isto é pouco para se dizer acerca da escrita do autor, de tão simples e complexa se torna, mas receio que me falham as palavras correctas para a descrever. Quem gostar deste autor facilmente pode comprovar as minhas afirmações, pois sentimo-nos de tal modo enredados pelas palavras e frases que nem damos pelas páginas a voarem. Isto aliado a personagens fantásticas e bem construídas, torna-se dois factores na excelência desta obra. William é completamente doido. O seu raciocínio, a sua lógica, a sua forma de ver o mundo, acompanhado de demónios. Os copos de vinho. O medo de amar, a bondade generosa, tudo neste personagem é de tal modo intrincado que chegamos ao fim com a sensação não só de o ter conhecido realmente em pessoa, como a gostar dele.
Mas não é só William que brilha em Memórias de um Mestre Falsário. Jaz - um bissexual que vive da fama da poesia escrita por William - e Stinx - um artista que faz falsificações perfeitas e com a vida amorosa constantemente destroçada - são também personagens bastante especiais, assim como Antonia, a luz do livro. O próprio Seamus, que entra pelas páginas do livro dentro e que por momentos nos faz esquecer do livro que estamos a ler, é bastante incomum, com traços quase paranóicos, sendo boa pessoa. Yasmin, a personagem duvidosa da história: podemos confiar, ou não? Até o pormenor do companheiro da ex-mulher de William está bem construído - é até esse detalhe que o génio de Graham chega.
E depois há o ambiente criado. Grande parte da história é passada em pubs ingleses - cada qual diferente, com um sentimento único, mas todos inegavelmente sedutores. Dá vontade de visitar cada um deles e sentir as mesmas coisas que William/Graham descreve. Detalhado sem roçar sequer o aborrecido, o autor consegue transportar-nos para cada um desses pubs, deixando-nos com um leve sabor amargo por não estarmos lá a ler as suas páginas.
No entanto, no final do livro fiquei um pouco zangada comigo mesma, por não ter a certeza de que demónios são estes falados no livro. São demónios como estamos acostumados a imaginar, ou apenas os pequenos demónios de cada um, que andam encostados ao nosso ombro? E, para piorar, será que William vê mesmo estes demónios, ou imagina-os? Não consegui chegar a uma conclusão satisfatória, mas estou mais inclinada para o lado fantasioso da situação. São demónios que William vê, e penso que esta solução me completa.

Recomendo vivamente a leitura destas Memórias de um Mestre Falsário. São memórias, revelações, segredos e rebelias de pessoas, sentimentos, causas, com um toque sobrenatural e humano. Uma leitura obrigatória!

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