domingo, 29 de dezembro de 2013

O Último Dia de um Condenado, de Victor Hugo - Opinião

O Último Dia de um Condenado
Título: O Último Dia de um Condenado
Título Original: Le Dernier Jour d'un Condamné
Autor: Victor Hugo
Editora: Quidnovi
Ano de Publicação: 2010
Número de Páginas: 96

Esperavam-me umas horas sem fazer nada, portanto decidi dar uma vista de olhos pela estante da minha irmã para ver se encontrava algo que me agradasse; foi assim que O Último Dia de um Condenado me veio parar às mãos, numa ânsia de descobrir as maravilhas de Victor Hugo e descobrir se conseguiria comprovar pela minha própria leitura a sua qualidade e o seu lugar de destaque na Literatura.

A história não tem nada que saber: trata-se de uma espécie de diário dos últimos dias de um homem que é condenado à morte. Esperava uma grande reflexão sobre a vida humana, algo que me fizesse pensar e repensar, mas ao invés apenas encontrei um relato com pouca emoção, pouco para reflectir. Ao descobrir que se tratava de um manifesto político, destruiu grande parte do meu encanto na leitura, e talvez este comentário possa ser um pouco mais duro do que eu esperava, embora reconheça a qualidade deste pequeno livro. É, até, complicado opinar sobre este conto, pois já foi estudado e discutido extensamente, e pouco há a dizer dele, a não ser se gostei, ou não.
A verdade é que, esquecendo o manifesto político, sim, gostei. Esperava algo um pouco mais perto da emoção humana, mais cru, mais verdadeiro. Apesar do seu ambiente negro e deprimente, e de levantar a grande questão de ética associada à pena de morte, é um bom livro. Ao lembrar-me do seu lado político, é só mais um entre tantos. Esquecendo este pormenor, pois não tenciono repetir-me interminavelmente, O Último Dia de um Condenado leva-nos a um lugar muito escuro da alma humana. A culpa, o medo, a ansiedade, a respiração com prazo de validade. Embora seja uma realidade longínqua para muitos, é ainda algo muito presente e que nos leva a questionar a justiça, ou a falta dela; enquanto houver pena de morte, é sem dúvida um livro actual.
A forma como está escrito eleva o seu autor ao lugar que tem e que merece: é uma escrita rica, com ambientes detalhados e vívidos, com contrastes de cenas e emoções muito bem conseguidos. A escrita é envolvente e fácil de embalar o leitor mas, a mim, não provocou as emoções que esperava sentir.
Compreendo que não interesse nem o nome nem o crime que o condenado cometeu; mas eu gostava de saber. São pormenores que para muitos não têm importância, mas fiquei curiosa. Depois de ler o livro, fiz uma pequena pesquisa acerca do impacto que este teve na sociedade francesa, mas pouco descobri (confesso que não pesquisei muito tempo). Encontrei, no entanto, informação relativa à altura em que foi escrito: foi pouco tempo depois de o escritor ter assistido a uma execução na guilhotina, ou depois dessa execução, ou antes (já não me recordo, mas foi uma execução que o inspirou).
Provavelmente, se não fosse o meu pequeno problema com o peso político deste conto, teria gostado mais dele; simplesmente, neste momento não tenho muita paciência para histórias que vão contra injustiças e poder ao povo e oposições. Acredito que Victor Hugo seja muito mais do que isto, e que O Último Dia de um Condenado seja apenas um pequeno livro com um determinado objectivo, e que o resto da sua obra seja livre. Pretendo, definitivamente, ler mais deste autor, pois continuo curiosa em conhecer o resto da sua mente (Os Miseráveis e O Corcunda de Nôtre-Dame, por exemplo).

É, no entanto, um bom livro para passar umas horas. Se pensam ler algum Clássico mas não querem um maçudo, O Último Dia de um Condenado parece-me uma escolha acertada, uma leitura leve e que, no entanto, transporta consigo algum peso.

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