sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A Joia das Sete Estrelas, de Bram Stoker - Opinião [Editorial Estampa]

A Joia das Sete Estrelas
Título: A Joia das Sete Estrelas
Título Original: The Jewel of Seven Stars
Autor: Bram Stoker
Editora: Editorial Estampa
Ano de Publicação: 2013
Número de Páginas: 272

Um livro de Bram Stoker é sempre apetecível. E explorar os recantos da sua imaginação para além do sempiterno Drácula é uma aventura, para a qual não sabemos se estamos preparados. E posso adiantar desde já que não, não estamos preparados para A Joia das Sete Estrelas.
Antes de ler este livro, é importante saber separar o terror como o conhecemos em 2014 e o terror como era conhecido em 1903, data da primeira edição deste livro. Com os limites sabidos e estabelecidos, podemos então entregar-nos por completo a este que é considerado um dos cem melhores livros de terror de todos os tempos. Viajemos, então, no tempo e no espaço.

O início da história fez-me lembrar um pouco de Agatha Christie, uma vez que temos um misterioso e violento ataque e nenhum suspeito, e cuja única testemunha, a própria vítima, fica em transe total. As peças e teorias vão-se juntando, pouco a pouco, mas a condensação do mistério continuava a relembrar-me constantemente a já referida autora.
Quando dei por mim, estava de tal modo embrenhada na obra que nem me apercebia da teia de terror que tinha sido construída à minha volta, prendendo-me ao livro, e deixando-me em suspense permanente perante os novos acontecimentos e as novas teorias. Quase como personagem do livro, qualquer explicação já me era válida, desde que tudo acabasse ali. E a vontade de correr com as personagens em momentos de perigo, ou gritar-lhes "não faças isso", também era forte. E pensam vocês, "que exagero". Não, não é exagero. Apenas têm de se deixar levar pelas palavras de Bram Stoker, para acordarem no início do século XX e viverem o livro como naquela época.
Ao longo da narrativa fui construindo também as minhas suspeitas e teorias - que, confesso desde já, saíram praticamente todas furadas, e penso que o ritmo da escrita leva o leitor a fazer isso mesmo: a pensar por si, a tentar deslindar quem está por trás dos ataques. Leva o leitor a pensar além do que está escrito, deixando a mente vaguear por caminhos não tão seguros, para depois voltar a encontrar algum conforto nas páginas e palavras das personagens.
E falando de personagens, estas são, na minha opinião, o ponto negativo de A Joia das Sete Estrelas. Não porque sejam más ou algo do género, mas sim porque se há algo a apontar, então só pode ser isto. São personagens extremamente clássicas: o egiptologista rico, a sua filha inocente, o homem que ama loucamente a sua filha, o seu amigo meio doido, um médico sério, um inspector da Scotland Yard... percebem onde quero chegar? São personagens simples e concretas, sem nada de apaixonante. Mas repito, isso não as torna, de todo, más.
O final é, na minha opinião, magnífico. Acaba como começou, envolto em mistério, e medo. Que mais poderia pedir? Em jeito de curiosidade e até para evitar futuras confusões, gostaria de vos informar que A Joia das Sete Estrelas tem dois finais: um mais tenebroso, e outro mais feliz. Isto porque, quando o livro foi publicado em 1903, o capítulo final foi alvo de várias críticas, obrigando o autor a re-escrevê-lo pouco antes da sua morte, para ser novamente publicado. E durante muitos anos a história manteve-se com um final feliz, até que em 2008 a Penguin Classics trouxe de volta o final menos alegre (felizmente), tendo sido essa a versão que eu li, como poderão ter compreendido.

É inegável o talento de Bram Stoker. Se gostaram do Drácula, então penso que facilmente gostarão deste, apesar de ser um tema completamente diferente. Apenas têm de se lembrar que é um terror de há 111 anos atrás. Sejam bem-vindos a um livro em que as múmias não estão mortas, as maldições existem e onde nem respirar é seguro.

2 comentários :

  1. Fiquei muito curiosa com este livro, após a tua opinião. Bram Stoker é sem dúvida um grande senhor na literatura da época e mesmo nos dias de hoje. Mas concordo contigo, as personagens não são o seu forte, ele vê-as á luz da época, nomeadamente as figuras do sexo feminino, e temos que nos colocar no tempo próprio par as entendermos melhor. Nunca serão personagens eternas como em tantos outros autores.
    Sem dúvida que a história e o seu desenvolvimento são o expoente máximo em Bram Stoker.
    Excelente comentário
    beijinhos :)

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    1. Pois, personagens não é com ele, apesar da criação do Drácula, pouco mais há a apontar nas que ele criou. Mas este livro é de facto muito bom, foi uma excelente leitura! Aconselho-te vivamente :)

      Beijinhos

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