segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Monday Madness #3


Chegou a altura de um novo Monday Madness!

1. Qual é o teu tipo de tempo preferido?

Raios e tempestades :) Normalmente fico feliz com um dia chuvoso ou pelo menos cinzento, mas uma tempestade aqui e ali não me importo mesmo nada. Gosto de olhar para o céu e vê-lo cinzento, ou carregado de nuvens gordas e negras. Numa alternativa, gosto daqueles dias secos e eléctricos, com uma tonalidade amarelada, em que não chove, mas está muito vento, e promete trovoada para mais tarde.

2. O que farias se ficasses fechada no teu shopping favorito uma noite?

Eu não sou rapariga para estar muito tempo em shoppings, portanto mal li a pergunta só me vieram dois nomes à mente: Fnac e Bertrand. Ficar fechada uma noite numa destas lojas... Provavelmente não iria fazer nada, chegaria uma hora em que caía para o lado e adormecia, com um livro nas mãos. Se fosse na América, processava-os e passava a noite a juntar a um canto todos os livros que eu queria em alternativa a não os processar (mas aqui, talvez uma noite não chegasse. E que tal uma semana com um stand de gomas ao lado, posso ficar fechada aí?).

3. Uma personagem está a morrer, sozinha e longe de casa, de uma maneira que nunca tinha imaginado que iria morrer. Quais são os seus últimos pensamentos? Em quê, ou em quem, está ela a pensar, e do que se arrepende? Escreve uma cena com esta morte na primeira pessoa.

Antes de mais nada, eu fiquei um pouco confusa com este exercício, a personagem tem de ser uma que já existe? Ou pode ser algo da nossa imaginação? Pensei em várias personagens mas não me lembrei de nenhuma para dar uma morte diferente... portanto vamos dar asas à imaginação e tentar escrever algo pequeno e com sentido!

"O que diria a minha mãe se me visse agora... Eu, Anelie, depois de tantos anos a lutar ao lado das voyins, e agora estou confinada a este quarto... Os meus olhos focam e desfocam o que vêem, ou será do fumo do incenso que arde noite e dia?
A custo, tento levantar o meu braço, o braço que durante anos matou, orgulhosamente ajudado pela clava, a minha Luz. Onde estará agora? O que terão feito à arma que me acompanhou toda a vida? Olho para o meu braço e apesar do fumo consigo distinguir as diferentes marcas que se perdem na cor. Tatuagens, marcas de guerra, marcos alcançados. Cicatrizes, mostra de batalhas, provas de sobrevivência. Toco no meu pescoço e sinto a cicatriz que quase me valeu a vida, há tanto tempo atrás, em plena batalha. A sua textura irregular e grossa faz-me lembrar uma guelra, e sorrio ao pensar no que sobrevivi, embalada por uns momentos nas memórias das guerras ganhas contra os zhenovofist, corpo a corpo, arma a arma, e as incontáveis almas que ajudei a mandar para o Inferno.
Tusso violentamente e sou despertada para a realidade: que estou a morrer de uma pneumonia. Eu, que travei centenas de batalhas, morro de uma doença dos pulmões, só porque me atrevi a tomar banho na lagoa com Daviola naquele dia. Não é justo. Ela não ficou doente, e eu fiquei. E agora estou a morrer.
Como se a humilhação não fosse suficiente, mandam-me para longe da minha tribo, para esta cabana no meio do monte, para não infectar mais ninguém. Não me pude despedir de Daviola, dizer que a amava, estar uma última vez com ela. Mas é por causa dela que estou aqui. Ela, com aquele cabelo preto e solto, decorado com flores, que não caiam em cada batalha que travámos. Ela, que neste momento está a lutar, e eu aqui, a tossir e a tentar ver para lá do fumo. Não é justo. Daviola bem que pode arder no Inferno, por mim. Eu quero lutar uma última vez, quero morrer em batalha, e não a definhar num quarto longe dos sons que sempre me acompanharam."

4. Enquanto criança, eras dada a terrores nocturnos, falar durante o sono e sonambulismo. Agora, em adulta, há muito que perdeste esses hábitos. Isto é, até uma noite. Acordas e encontras-te num lugar desconhecido, ao telefone com um oficial do Pentágono.

A verdade é que terrores nocturnos são um distúrbio que conheço bem, mas tanto quanto sei, não tenho o costume de falar durante o sono, e muito menos sofro de sonambulismo. Sinceramente este é um exercício que não me agrada, pelo simples facto de envolver o Pentágono, e isso leva-me para um tipo de acção que não gosto. Vamos ver o que sai daqui...

"Acordo num sítio escuro, com o som de água a pingar algures, um cheiro a mofo húmido a pairar no ar, e um outro som distante... um som que me acordou... um som que é o meu telemóvel a tocar. Tento ver na escuridão, e apalpo o meu corpo, tentando sentir onde está a máquinazinha a fazer barulho. A luz que emana não é suficiente para iluminar o sítio onde estou, e não conheço o número.
- Estou? - pergunto, distraída, enquanto com os dedos percorro a parede contra a qual estou encostada, a fim de tentar perceber onde me encontro.
- Fátima? - ouço uma voz que me é familiar, demasiado familiar, do outro lado da linha. - Meu Deus, Fátima, estás bem?
- Eu estou... Cris? - a confusão instala-se na minha mente e desisto de saber onde estou, agarrando-me àquela voz que é a única coisa que conheço naquele momento.
- Ouve-me, eu não tenho muito tempo.
- Mas porque é que me estás a ligar? Onde é que eu estou? O que acon...
- Ssshiu, não faças perguntas agoras. Apenas ouve-me, eu não tenho tempo e preciso de te dizer isto tudo. Ouve com atenção, não sei quando poderemos falar outra vez. - A sua voz foi interrompida, e ouvi ao fundo o som de vozes distantes, e pessoas a trabalharem em computadores, e apitos. - Ouve... - a voz de Cris era pouco mais do que um sussurro, e colei o telemóvel à orelha, tapando a outra com a outra mão, numa tentativa desesperada de procura de segurança. - Não há uma maneira agradável nem fácil de dizer isto, portanto vou dizer e por favor, não te passes. E ouve até ao fim. Eu trabalho para o Pentágono e tu precisas de continuar a fugir. Estás num túnel que vai dar à cidade de Qualquer-Coisa, e tens de correr, corre, em direcção ao som da água. Pouca gente aqui dentro sabe da existência desse túnel mas quem sabe pode dar com a língua nos dentes. Estás-me a perceber?
- Não... sim... não sei, eu... - a minha voz pouco mais era do que um fio.
- Não há tempo para mais explicações. No final da nossa chamada, desliga o telemóvel e arranja maneira de o destruíres, pois nunca se sabe. Tudo isto é muito maior do que eu alguma vez imaginei...
- Mas o que é que aconteceu? - pergunto, a minha voz mais forte, mas sem ainda sair do meu lugar.
- Como assim, o que aconteceu? Tu... meu Deus, tu não te lembras? Eu bem me parecia... bem me parecia que os teus distúrbios antigos tinham voltado. Agora não há tempo para explicar, mas por favor, tem cuidado contigo e tenta dormir o mínimo possível. Os teus distúrbios estão de volta e... - a sua voz perdeu-se no meio de barulhos ensurdecedores, e a chamada acabou por cair. Confusa, com medo e a tremer de frio, adaptando os meus olhos à escuridão, tentei perceber o que trazia vestido. Um pijama. Estavam de volta. Mas o que teria acontecido? Da última vez, tinha sido apenas um corpo e tudo encoberto. O que seria agora para algo tão grave?
Desliguei o telemóvel e tentei perceber de onde vinha o som da água. Num impulso, corri como uma louca para a esquerda."

5. Se pudesses viver noutro país que não o teu, qual seria?

Rússia ou Finlândia, sem pensar duas vezes. Se calhar construía uma cabana na fronteira, cozinhava na Rússia e dormia na Finlândia :)

3 comentários :

  1. Este Madness é muito engraçado!! Ainda não comecei os meus... Ando sem inspiração.
    Também tenho um fascínio pelos países nórdicos. O meu preferido é a Suécia :)

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    1. Pois é, este saiu ontem à pressão, costumo preparar com antecedência mas esta semana não foi possível :)

      Um dia hei-de ir lá às terras nórdicas :D

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    2. Alguns dos post também preparo com antecedência :)

      Também tenho esse sonho! Para já é o que me resta....

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Obrigada por comentares :)