A Ler: Um Eterno Minuto de Silêncio, de Humberto Oliveira - Sinopse [Alfarroba]

março 19, 2014

Título: Um Eterno Minuto de Silêncio
Autor: Humberto Oliveira
Editora: Alfarroba
Ano de Publicação: 2013
Número de Páginas: 256

Contos de “pesar e luto”, no dizer do autor, Um eterno minuto de silêncio evidencia um género que se aproxima do “conto gótico”, com alguma inspiração em Poe e Hoffmann. Porém, diferentemente deste, ostenta um léxico inovador e uma estrutura fragmentária, ferindo assim o classicismo habitualmente atribuído àquele género contista.
Neste sentido, a linguagem estética de Um eterno minuto de silêncio reflete uma maturidade literária que supera em muito a escrita de um autor neófito, ainda titubeante no estilo e no vocabulário. Existe já neste conjunto de contos tanto uma perfeição vocabular quanto uma capacidade de construção de um enredo consistente, bem como a utilização de técnicas de efeito de suspense, que, não tendo deixado o júri indiferente, auguram para este livro e para o seu autor um futuro auspicioso no seio da futura literatura portuguesa.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.