A Vida é um Presente, de María de Villota - Opinião [Bizâncio]

março 24, 2014

A Vida é um Presente
Título: A Vida é um Presente
Título Original: La Vida es un Regalo
Autora: María de Villota
Editora: Bizâncio
Ano de Publicação: 2014
Número de Páginas: 192

Confesso que ler auto-biografias nunca fez propriamente o meu género, e posso contar pelos dedos de uma mão quantas vezes o fiz... E aproveito também para confessar que o mundo da Fórmula 1 e restantes corridas sempre me passou ao lado, nunca foi desporto que me seduzisse... O que torna ainda mais estranha a minha inclinação para este livro, quando o vi no catálogo de novidades da Bizâncio. Não consigo mesmo explicar; olhei para o livro e algo me fez querer lê-lo, e rapidamente. Apesar de continuar a não ser fã de biografias, não me canso de recomendar este livro.

Para quem desconhece María de Villota, esta foi uma piloto de automobilismo espanhola, que batalhou a vida toda para seguir o seu sonho no mundo dos carros, até que um dia, um acidente custou-lhe a carreira e por muito pouco não lhe roubou a vida; pouco tempo depois, complicações desse mesmo acidente acabaram por extinguir a sua chama. O acidente foi em Julho de 2012, e faleceu em Outubro de 2013. Entretanto, A Vida é um Presente nasceu e chega-nos como um comovente testemunho de uma luta hercúlea e de proporções extraordinariamente humanas.
É uma leitura fácil mas extremamente pesada. Não conseguimos ficar indiferente aos acontecimentos que María dá voz no livro, apesar do tom de esperança que é impresso. A batalha depois do acidente é uma coisa dura, as consequências físicas e psicológicas uma realidade difícil de engolir, e o sofrimento evidente é balanceado com a esperança e a alegria em viver. Acima de tudo, o facto de se estar vivo.
Mais do que uma simples biografia, A Vida é um Presente torna-se num STOP, que nos faz olhar em nossa volta e darmos graças, por estarmos seguros a ler o livro. Faz-nos parar e apreciar cada respiração que damos, e ficar felizes por olhar para o céu e vê-lo. É uma história com uma mensagem tão forte, que não nos pode passar ao lado.

"E, um dia, percebemos que vivíamos adormecidos, caminhávamos às cegas e sentíamos por metade. Se nenhum acidente fez parar bruscamente a sua vida, viva a sonhar, observe enquanto passeia e aposte no amor. Se um acidente fez parar a sua vida por um momento, sabe do que estamos a falar."

Acompanhamos praticamente os últimos meses de vida de María de Villota. Ficamos felizes com o seu sorriso e, mesmo não a conhecendo, queremos que tudo lhe corra pelo melhor. E, subitamente, o livro chega ao fim, assim como a triste realidade que quase nos esquecemos no decorrer da leitura: a sua autora acabou por falecer, devido a complicações ainda do acidente. Fechamos o livro, suspiramos e tentamos conter a lágrima que tantas vezes nos visitou durante a leitura.
É um livro poderoso, com uma mensagem que facilmente nos escapa por entre os dedos. Aconselho vivamente este livro, este relato trágico e recheado de esperança e de alegria, de amor e de vontade de viver. Tal como María o diz, a vida é de facto um presente, e temos de a aprender a saborear e valorizar.

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2 comentários

  1. Olá,

    Bem excelente comentário e parece-me sem duvida um livro muito interessante e com uma história de vida muito bonita, sim senhor :)

    Bjs

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    1. Olá Fiacha,

      E é de facto, muito bonito mesmo :)

      Beijinhos

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.