Circle of Desire, de Keri Arthur - Opinião [ARC]

março 31, 2014

Circle of Desire (Damask Circle,#3)
Título: Circle of Desire
Série: A Damask Circle
Autora: Keri Arthur
Editora: Dell
Ano de Publicação: 2014
Número de Páginas: 352

O livro pelo qual aguardava desde o começo da trilogia A Damask Circle, o último, a despedida de um mundo povoado por seres sobrenaturais e humanos com poderes extraordinários. Foi uma leitura agridoce, pelo prazer que me deu a ler e pela sensação de dizer adeus a uma trilogia que tanto gostei de ler.

A história de Circle of Desire mais uma vez segue a fórmula dos outros, onde temos uma shapeshifter e um lobisomem, que se conhecem durante a investigação de uma série de raptos e assassinatos de crianças. 
Confesso que, apesar de ser a mesma linha dos anteriores, a história não me aborreceu, mas senti-me um pouco desiludida com o desfecho deste ciclo. Talvez por ser o último, esperava algo mais, algo que me deixasse extasiada, algo que me levasse às lágrimas na hora da despedida, e apesar de ser um excelente livro, queria mais. A narrativa, bem ao estilo dos outros volumes, é recheada de acção e de momentos de romance entre as duas personagens principais, Kat e Ethan.
Apesar de não ter sentido uma ligação tão forte com estas personagens (Maddie e Jon foram os primeiros, Kirby e Doyle inesquecíveis), penso que foram as melhores desta trilogia. São personagens mais desenvolvidos, mais adultos, em que ambos sabem o seu propósito e apenas vacilam perante os seus verdadeiros sentimentos. Os momentos sexuais são, mais uma vez, muito bem trabalhados, sem se tornarem ordinários. Também a presença de uma terceira personagem vital, neste caso a avó de Kat, foi muito bem pensada. Uma senhora adorável e com a qual criamos de imediato empatia, deixando-nos mais próximos da história.
É verdade que a ideia por trás dos três livros de A Damask Circle é sempre igual e não é nada de novo - um crime, duas pessoas com algum tipo de poder e que se apaixonam, não querendo admitir os seus sentimentos. Pode parecer aborrecido, muito usado, mas está longe de efectivamente o ser. A escrita de Keri Arthur, embora não haja propriamente nenhum aspecto que a possa apelidar de maravilhosa, vive da simplicidade e intensidade misturadas de tal forma harmoniosa que é difícil parar de ler. Este último livro veio também alterar a forma como li os anteriores: recordam-se de ter mencionado que no início lia muito devagar, e só passadas bastantes páginas é que devorava? Com este foi diferente. Devorei-o do princípio ao fim. Li-o em dois ou três dias.

Tornei-me, sem dúvida, uma fã da autora. Repito o que já disse em comentários anteriores, tenho pena de não ser divulgada em Portugal, pois certamente iria ser apreciada. Resta-me a sua obra na língua original, e desejar que Keri Arthur volte a um mundo secretamente guardado e protegido pelo Damask Circle.

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2 comentários

Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.