terça-feira, 11 de março de 2014

O Rapaz do Pijama às Riscas, de John Boyle - Sinopse & Opinião

O Rapaz do Pijama às Riscas
Título: O Rapaz do Pijama às Riscas
Título Original: The Boy in the Striped Pyjamas
Autor: John Boyne
Editora: Edições Asa
Ano de Publicação: 2008
Número de Páginas: 176

Ao regressar da escola um dia, Bruno constata que as suas coisas estão a ser empacotadas. O seu pai tinha sido promovido no trabalho e toda a família tem de deixar a luxuosa casa onde vivia e mudar-se para outra cidade, onde Bruno não encontra ninguém com quem brincar nem nada para fazer. Pior do que isso, a nova casa é delimitada por uma vedação de arame que se estende a perder de vista e que o isola das pessoas que ele consegue ver, através da janela, do outro lado da vedação, as quais, curiosamente, usam todas um pijama às riscas. Como Bruno adora fazer explorações, certo dia, desobedecendo às ordens expressas do pai, resolve investigar até onde vai a vedação. É então que encontra um rapazinho mais ou menos da sua idade, vestido com o pijama às riscas que ele já tinha observado, e que em breve se torna o seu melhor amigo…

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A oportunidade de ler este livro veio com a Maratona Literária de Fevereiro, que consistia em ler autores de diferentes países. Sendo John Boyne irlandês, pareceu-me ser uma boa opção, até porque eu já tinha visto a adaptação cinematográfica do livro e tinha gostado muito, logo ter a possibilidade de ler o livro que deu origem ao filme é sempre uma boa aposta.

Para quem já viu o filme, o argumento não é muito diferente da história que o livro nos apresenta, pelo menos do que eu me consigo recordar. Há, no entanto, um aspecto que para mim fez toda a diferença e me fez adorar o livro incomparavelmente ao filme: o facto de nos permitir conhecer uma faceta de Bruno tão inocente, angelical e pura.

"«Heil Hitler», disse, o que Bruno presumia ser outra forma de dizer «Bem, até logo, tenha uma boa tarde.»"

Só nesta linha podemos facilmente perceber a criança ingénua que Bruno é, desconhecedor do mundo à sua volta, sem saber que há uma guerra, do lugar que o seu pai e a sua família ocupam nessa guerra, o porquê de terem de mudar de casa, quem está do outro lado da grade. E é esta ignorância de Bruno que o torna tão mágico, que faz com que o que o rodeia se torne ainda mais atroz, e a sua amizade com o outro menino ainda mais singela.
Algo que, a meu ver, se torna importante pensar enquanto se lê este livro é na mensagem que o autor tentou passar, e não no rigor histórico, linguístico, ou de qualquer outro tipo. Porque todo esse rigor destrói o encanto infantil que as duas personagens têm, impossibilitando-nos de nos deixarmos embalar pela voz que guia a história. Claro que é difícil aceitar que Bruno não saiba quem é Hitler, ou que há uma guerra, ou o que é um campo de concentração, ou o que é um judeu. Claro que é quase impossível pensar que em Auschwitz houvesse um canto do campo não vigiado, onde a rede pudesse ser levantada facilmente para deixar passar comida e até uma criança. Eu compreendo que seja um tema sensível à maioria das pessoas, mas não podem ser tão literais em tudo o que vos rodeia. Leiam este livro com a inocência que é necessária e não a brincar aos nazis dos livros, apontando tudo de errado que se passa em cada página.
A época em que O Rapaz do Pijama às Riscas se passa é uma época que eu, por defeito, gosto de ler, mas neste livro John Boyle levou esta literatura a um nível completamente diferente, difícil de ultrapassar. A mestria com que ele criou duas personagens, tão diferentes e tão puras, é impossível de negar e de se ficar indiferente. Toda a gente sabe como é que esta história acaba, todos sabemos que é de partir o coração. Mas não é só a acção em si que justifica a tristeza que fica, mas sim toda a forma como Boyle construiu as nossas emoções atrás, camuflando os horrores através dos olhos do pequeno Bruno, anestesiando os tormentos pela voz do pequeno Shmuel.

Aconselho este livro aos que o pretendem ler com o coração leve, e não à espera de encontrar detalhes sórdidos daqueles tempos. Leiam este livro através dos olhos de uma criança, e apesar de ser um assunto bastante sério, permitam-se vivê-lo ingenuamente. 

2 comentários :

  1. Olá,

    Tenho lido excelentes comentários ao livro e o teu só vem confirmar que é um livro de leitura obrigatória, tenho que ler mesmo :)

    Bjs e boas leituras

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    1. Olá amigo,

      Por acaso eu li comentários terríveis acerca do livro, daí a chamada de atenção que deixei, para não o ler com o rigor de uma enciclopédia histórica. Aconselho muito :)

      Beijinhos

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Obrigada por comentares :)