quinta-feira, 24 de abril de 2014

666 - O Limiar do Inferno, de Jay Anson - Opinião

A Ler
Título: 666 - O Limiar do Inferno
Título Original: 666
Autor: Jay Anson
Editora: Círculo do Livro
Ano de Publicação: 1986
Número de Páginas: 253

A escolha deste livro foi, inicialmente, um erro. Pensava que se tratava da história da famosa Amytiville, sobre a qual Jay Anson tem de facto uma obra, mas este trabalho é completamente diferente, e eu demorei algumas páginas a tentar perceber o que é que a história tinha em comum com o que conhecia de Amytiville. Quando me apercebi do verdadeiro conteúdo desta história, fiquei ligeiramente decepcionada, mas estava a gostar, portanto só tinha de continuar e aproveitar a leitura.

Confesso que esperava mais deste 666 - O Limiar do Inferno. Apesar de ser a minha estreia com o autor e não ter nenhuma ideia da qualidade da sua obra, esperava algo mais assustador, mais inquietante. A história, em si, nem é nada demais, e acredito mesmo que houvesse muito mais por explorar.
O livro foi escrito há 33 anos, e é necessário termos uma noção de que o terror entretanto mudou e muito. Mas, mesmo tendo em conta este factor, algo nesta história não me convenceu, deixando-me indiferente. Quando parecia que algo realmente bom estava para acontecer, havia uma espécie de anti-climax que impedia os acontecimentos de se tornarem mais sobrenaturais. A história da misteriosa mansão vitoriana plantada à beira da casa de Keith e Jennifer tinha tudo para ser fantástica, e não passou de curiosa.
As personagens não são também o ponto forte deste livro. Jennifer é complicada; David é estúpido; e Keith, com tanto potencial, mantém-se sempre na mesma, do início ao fim da trama.
O final do livro é a melhor parte de toda esta obra. Tudo o que lentamente se vai construindo ao longo das páginas culmina previsivelmente, mas ainda assim com espaço para nos surpreender. As pequenas peças que se vão encaixando dão um toque final bastante misterioso, salvando a desilusão que eu senti com esta leitura.
Há, no entanto, um pormenor que não posso deixar de referir: apesar de a leitura deste livro não me ter entusiasmado como esperava, o ritmo que as suas páginas nos imprimem é vertiginoso. Quando dei por mim, estava na página 100, e passadas umas horas, tinha acabado o livro. Este é também um factor a favor de 666 - O Limiar do Inferno, esta quase sede de saber o que traz a próxima página. Porquê? Não faço a mínima - não há nada que nos faça antecipar loucamente o que vem a seguir. Mas o que é verdade é que dei por mim assim.
Como disse anteriormente, queria algo mais arrepiante. O livro tem potencial para isso, pois cria-nos algumas expectativas - o problema é que depois não as cumpre. Esperava algo que me sobressaltasse e me fizesse recear ler de noite, coisa que não aconteceu (aliás, a maior parte da leitura foi mesmo feita à noite).

Concluindo, apesar de não ser um livro que vá mexer com os vossos medos, não deixa de ser uma leitura interessante, pelo final. Para quem nunca se aventurou por este género e prefere algo leve, então esta obra de Jay Anson é uma boa aposta; para quem procura algo mais emocionante, então partam para A Mansão do Diabo, a minha próxima leitura, e que acredito que irá mais de acordo com as minhas expectativas e gostos.

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