Contos Libertinos, de Marquês de Sade - Opinião

abril 02, 2014

Título: Contos Libertinos
Autor: Marquês de Sade
Editora: Amazon
Ano de Publicação: 2012
Número de Páginas: 49

Porquê ler Marquês de Sade? Digamos que... estava destinado :) Quem me conhece bem sabe que eu tenho um gostos que, de vez em quando, são assim um bocadinho... estranhos, no mínimo. O Marquês há muito que estava na minha lista de desejadas leituras, e o Desafio Literário 12 Meses, 12 Clássicos, deu-me a oportunidade (leia-se desculpa) perfeita para conseguir ler algo do autor. Não fiquei decepcionada. De facto, não me lembro de me rir tanto a ler um livro como estes Contos Libertinos.

Como bom escritor da sua época, Marquês de Sade (de seu verdadeiro nome Donatien Alphonse François de Sade) descascava forte e feio no clero. Passagens como "a mulher dele era uma moreninha, de vinte e oito anos, olhar leviano e nádegas roliças, a qual parecia constituir em todos os aspectos lauto banquete para um monge." e "(...) é uma mulher encantadora, uma criatura que vos arrebatará assim que a escutardes... é, enfim, o que denominamos um banquete de padre, e vós sabeis que essas pessoas sendo meus melhores clientes, não lhes dou o que tenho de pior..." são uma constante nestes contos. À luz de agora, eu pelo menos ri-me como não me ria há muito com a leitura de um livro, mas a verdade é que a sua posição não é tão incomum quanto isso, ao olharmos para trás.
É certo e sabido que o Marquês de Sade usava e abusava da sua escrita para criticar a sociedade, opondo-se à religião, política e filosofia, entrando por mundos onde o sadismo, o grotesco e a violência imperavam. Apesar de nestes contos termos mais propriamente uma liberdade sexual do que algo grotesco e violento, consegue-se perceber pelas palavras do autor que há ali algo muito mais. Basta uma rápida leitura da história da sua vida (metade preso, metade em orgias) e tem-se uma leve ideia do génio do homem que escreve estas obras. Não há como negar o seu fino sentido de humor apurado, que tantas dores de cabeça trouxe à França.
Recomendo este livro apenas a quem tenha verdadeira curiosidade pelo autor, e não por apenas "é giro, do nome dele veio a palavra sadismo". Algumas ideias deste escritor poderão até chocar os leitores mais incautos, portanto, aventurem-se pela mente de Sade... por vossa conta e risco.

Gostaria de vos deixar aqui um dos contos que mais gostei deste Contos Libertinos. Entre "O Talião" e "O corno de si próprio, ou a reconciliação imprevista", os pontos altos deste livro, deixo-vos aqui "O Talião", pois é curto, mordaz e extremamente divertido. Espero que gostem.

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2 comentários

  1. Olá,

    Por acaso nunca li mas a ideia que tenho é que este escritor apresentanos um enredo algo estranho e mais para o adulto, mas posso estar enganado :D

    Bem já experimentaste e acredito que irás querer repetir :D

    Bjs e boas leituras

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    Respostas
    1. Sim, é um enredo sem dúvida adulto, mas adulto não no sentido de 50 sombras de grey, adulto por todo o sadismo e morbidez que acompanham cada acção.

      Sim, estou com bastante curiosidade em ler os 120 Dias de Sodoma (penso que é este o nome), mas não será tão cedo!

      Beijinhos

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.