Frankenstein, de Mary Shelley - Opinião

abril 13, 2014

Frankenstein
Título: Frankenstein
Autora: Mary Shelley
Editora: Penguin Books
Ano de Publicação: 1994
Número de Páginas: 215
Sinopse

A leitura de Frankenstein, desejada há muito, tomou forma com os Desafios Literários para o mês de Abril. De um lado, tinha um clássico da fantasia/ficção científica, e do outro, a nível de diversidade, tinha também ficção científica. Ao correr as estantes com os olhos, deparei-me com esta obra, e depois de uma rápida pesquisa sobre o seu género, deparei-me com informações que me agradaram:

"Podemos dizer que Mary Shelley é uma autora de ficção científica. Muitos estudiosos do assunto a têm como a inventora da ficção científica, apesar do termo só ter surgido no século XX com Hugo Gernsback. E precisamos compreender que ficção científica é um gênero que se utilizada ciência para especular ou avançar sobre o assunto (discutiremos o real significado desse gênero mais adiante).(...) Portanto, usando um pano de fundo  científico, Mary Shelley criou uma obra que se preocupava com o que o homem podia se tornar ao mexer com habilidades divinas, como o poder sobre a vida e a morte. Sem dúvida alguma, Mary Shelley foi a inspiradora de outros autores de ficção científica do seu século como Jules Verne e H. G. Wells. E, usando um personagem, que, mesmo sendo escrito no século passado, continua tendo um forte apelo nos dias de hoje." 
Do blogue Oceano de Histórias, aqui 

Foi o empurrão que eu precisava para deitar mãos a este livro. Antes de escrever a minha opinião, gostava apenas de deixar aqui o seu processo de criação, pois é algo engraçado: Mary Shelley estava confinada a uma casa (devido a motivos climáticos) com três outros escritores, o seu, na altura, futuro marido, Percy Bysshe Shelley, Lord Byron e John Polidori. Lord Byron desafiou cada um a escrever uma história de terror, e assim nasceu a história deste livro, que veio a dar mais tarde o romance.
A história de Frankenstein é muito conhecida, principalmente devido a todas as adaptações a que o livro foi sujeito. No entanto, prevalece em muita gente a ideia errada que o monstro é Frankenstein, o que não é de todo verdade. O detentor deste nome é precisamente o seu inventor, Dr. Victor Frankenstein, que com um futuro brilhante decide tentar criar vida a partir de algo morto. Assim nasce o monstro, que nunca teve direito a nome. Eu tinha uma ideia muito geral acerca do enredo, mas mesmo assim foi uma boa leitura, que me permitiu conhecer a história a fundo e mesmo assim ficar surpreendida.
A primeira surpresa durante esta leitura foi a maneira como a história é contada. Conhecemos Robert Walton, um intrépido homem que parte em viagem para provar uma das suas teorias, e escreve à sua irmã, a sua querida Margaret. É através destas cartas que ficamos a saber como Walton se cruza com Frankenstein, e só depois é que ouvimos de facto a história do inventor.
A segunda surpresa é o monstro em si. Assistimos quase em primeira mão à sua criação, e conhecemos a personagem pelos olhos de Frankenstein. Só depois é que conhecemos mesmo o monstro, a sua versão da história. E é quase de partir o coração. Mas depois voltamos a ver os acontecimentos pelos olhos do seu criador, até ao final, até ao presente, até ao seu encontro com Walton. O livro tem um final triste... dependendo da maneira como o assimilamos.
Não consegui sentir pelo monstro o ódio de que foi alvo. Algo na sua maneira de falar, de pensar, e até de agir, despertaram em mim alguma compaixão e solidariedade. E ao acabar de ler o livro, não consigo deixar de pensar nesta dicotomia entre o bem e o mal. Será que uma pessoa é por natureza boa mas o mundo obriga a construir um lado mau? Ou nascemos com ambos, e dependendo da situação adaptamo-nos ao que é necessário? Ou, ainda, somos por natureza maus, e determinadas circunstâncias levam-nos a agir bem? É uma discussão que, provavelmente, será eterna, mas no caso deste monstro, não consigo ter uma opinião clara. Ele era bom e a humanidade fê-lo mau. Ou seria ele de má índole, e tudo o que passou despertou esse estado aparentemente latente? Uma personagem complexa, tremendamente bem trabalhada, que nos faz reflectir na natureza humana, e no monstro que, talvez, haja dentro de cada um de nós. Ao mesmo tempo que senti empatia com o monstro, senti alguma incompreensão com o inventor. A sua atitude por vezes era confusa, mas mesmo assim uma parte de mim também se solidarizou com a sua causa. Qual a posição que alguém pode tomar, quando lançamos ao mundo algo que acreditamos ser mau? E, pensando em tudo... quem é, afinal, o monstro? O criador, ou a criatura?

Frankenstein, a obra, torna-se assim uma leitura sublime, que lemos entre a melancolia e o assombro que vivem nas suas páginas. Uma leitura um pouco mais pesada, no sentido que nos faz questionar algo tão simples como o bem e o mal, no entanto tão intrincado. Vale bem a pena ler, um clássico fantástico e uma história inesquecível, como está mais do que comprovado.

Aqui ficam (algumas) das adaptações da obra.

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4 comentários

  1. Ois,

    Bem mesmo tendo uma ideia do enredo vale sempre a pena conhecermos mais a fundo e este é uma excelente prova, vejo que será uma das leituras do ano, muito bem, fiquei com muita vontade de ler ;)

    Não o mandes fora sem falar primeiro comigo eheheh

    Bjs e bom domingo

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    1. Olá migo,

      Sem dúvida, uma das grandes leituras :) É a versão da Penguin, em Inglês :P

      Beijinhos

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  2. Também li este livro este ano e gostei bastante. Bem diferente do que esperamos:) Beijos

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    1. É muito diferente mesmo... Nunca pensei que me fosse tocar tanto como fez!

      Beijinhos

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Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.