segunda-feira, 21 de abril de 2014

Monday Madness #7


O Monday Madness desta semana vai ser ligeiramente diferente, pois o site de onde retiro as perguntas está sob manutenção, então tive de ir directamente ao WritersDigest.com para trazer algumas ideias para aqui. Ao invés de cinco, serão apenas quatro exercícios. E em breve este será o modo de funcionamento do Monday Madness, pois a rubrica, como já tinha dito, foi descontinuada, e espero que gostem!

1. Três Desejos
Encontras um génio que te concede três desejos. Quais é que escolhes e porquê? (500 palavras ou menos)
Quando a minha irmã veio de Marrocos, em vez de me trazer uma caneca como eu lhe tinha pedido, trouxe-me uma lâmpada, muito pequena. Fiquei a olhar para aquilo com vontade de perguntar que raio é que ela esperava que eu lhe fizesse, mas ela estava tão contente e com tantas coisas para contar que lá a deixei estar e deixei a lâmpada em cima do livro que estava a ler.
Nessa noite, ao virar-me na cama, estiquei o braço para cima da mesinha de cabeceira onde tinha o livro e a lâmpada, cuja existência eu já nem me recordava. Mas lembrei-me rapidamente, assim que lhe bati e ela caiu no chão, rolando e saltando até ficar encostada à parede. Com preguiça a mais para me levantar, fechei os olhos e aconcheguei-me na minha almofada... e através da escuridão que dava cor aos meus pensamentos, as minhas pálpebras filtraram uma ténue luz, pulsante, algo entre um azul e um roxo. Meia desnorteada, abri os olhos. E então o meu coração quase que parou.
Encostado à parede, estava alguma coisa, com uma espécie de nuvem à sua volta, que se ia desfazendo gradualmente, a olhar para mim com um sorriso nos lábios. Não sei se era um ele, se era uma ela, e o medo colou-se-me à garganta. Do bolço das calças tirou um pergaminho enorme, que não podia caber lá dentro, e aclarou a voz, para começar a ler. Eu olhava e ouvia, aterrada, incapaz de me mexer ou sequer de pensar.
Depois de tossir e olhar para o papel, fez dele uma bola de lixo e atirou para trás das costas, batendo na parede e desaparecendo.
- Ó minha querida, já sabes esta treta toda. Sou o génio dos desejos e bla bla bla, e tens direito a três desejos, e xau xau.
A minha cara de parva devia estar sem pinga de cor, pois o... génio... aquilo riu-se suavemente e com um estalo de dedos seus a minha voz, magicamente, encontrou-se e olhando à minha volta, só consegui ver o livro em cima da mesinha. O meu primeiro pensamento foi mesmo esse.
- O quê, como mais livros?
- Feito! - exclamou com uma risada cavernosa. Montes e montes de pilhas de livros espalharam-se pelo meu quarto, com alturas assustadoramente vertiginosas.
- Isso não vale! - exclamei, indignada.
- Vale pois. Pediste mais livros. Aí os tens. Dois desejos.
- Eu não pedi, eu perguntei como exemplo.
- Temos pena. Está concedido, está concedido.
- Ai é? Então quero que o meu segundo desejo seja ter mais cinquenta desejos.
- Não podes.
- Posso pois. Onde diz que não posso?
Ao retaliar, o génio ficou parado, com o dedo no ar. Bufou.
- Está bem. Tens razão. Isto vai ser longo...
- Vá, deita-te aqui, dorme um pouco.
- Quarenta e nove desejos.
- O quê? Isso é injusto!
- Desejaste que dormisse aqui, desejo concedido! Próximo!
- Realmente, tens razão... isto vai ser muito longo!

2. Melhor Partida
Qual a melhor partida que alguma vez pregaste a alguém?
Há duas que faço com alguma frequência, pois as pessoas caem sempre :) Quero dizer, não é bem partidas, que para isso nunca me deu muito, a única coisa que me lembro com mais piada foi dizer a uma colega minha que se ela corresse durante muito tempo no sentido contrário ao das escadas rolantes, elas mudavam de direcção... e foi vê-la na estação do metro a correr que nem uma maluca e a virar-se para trás e queixar-se que continuavam iguais!... Sou uma pessoa mais de sustos. Eu vou-vos contar os meus dois segredos!
O primeiro, é quando sei que o meu namorado vai à casa de banho e vai fazer alguma coisa antes de ir... eu vou o mais silenciosamente possível e escondo-me na banheira, que tem cortina, e fico ali sossegadinha até ele entrar na casa de banho. Assim que ele fecha a porta, salto da banheira aos berros e a abanar os braços :)
O outro, é mais simples. É apenas estar numa divisão às escuras, com a mão em cima do interruptor, quando outra pessoa (mais uma vez, o desgraçado do meu namorado) o vai acender. Resulta sempre!
E agora pensando bem, já não faço nenhum destes há algum tempo...

3. Livros Inspiradores
Que livro te inspirou a começar a escrever e porquê?
Como já disse algumas vezes aqui no blogue, A Filha da Floresta, de Juliet Marillier. A magia da sua escrita, a delicadeza e sensibilidade, eu também queria ser assim um dia. Conseguir imaginar histórias tão bonitas, e passá-las para o papel com tamanho talento.

4. Distribuidor de Pizzas
O teu trabalho é entregar pizzas e vais entregar a última da noite. A casa fica numa rua escura e desconhecida. Ao tocares à campainha, quem atende é uma pessoa estranha, que te convida para entrares enquanto vai buscar o dinheiro - e de repente deixa-te inconsciente com um golpe. Quando acordas, estás amarrado a uma cadeira. O que acontece de seguida?
Quando finalmente acordei, estava amarrada numa cadeira, na sala. Silêncio na casa. Tentei lembrar-me do que tinha acontecido e tudo me veio à mente. Entrar atrás do senhor, e levar uma pancada tão forte... e isto. Olhei pela janela e era de dia, e com bastante sol. "Há quanto tempo estou aqui?" era tudo o que conseguia pensar.
Tentei desapertar os nós das minhas cordas e ouvi um sino a tocar. Percebi que estava amarrado juntamente com as cordas, e passados uns instantes entrou na sala o mesmo senhor que me abriu a porta. Tentei não mostrar medo.
- Finalmente acordaste, estava a começar a ficar preocupado!
O meu olhar de confusão deve tê-lo surpreendido.
- Não te lembras, pois não? - enquanto eu abanava a cabeça, foi-me desamarrando as cordas, o sininho continuando a tilintar. - Antes de mais, o meu nome é João Monteiro. Vieste aqui entregar uma pizza, e lamento imenso o que te aconteceu. Eu tenho um filho, sensivelmente da tua idade, mas ele tem... alguns problemas. - Hesitou e desviou o olhar para uma fotografia pousada no móvel, que também observei. Nela vi o que ao início me pareceu o corcunda de Nôtre-Dame, o que me assustou. Depois olhei melhor, e percebi que se tratava de uma pessoa enorme, desproporcionada, que me fez lembrar os circos e os freakshows. Ao mesmo tempo, detectei pelo canto do olho um movimento e tentei segui-lo, mas apenas consegui ver uma sombra a subir as escadas, acompanhada do som de passos arrastados, pesados, e uma respiração alta e gutural.
- Sabe, ele não faz mal a ninguém - continuou João. - Heitor... é esse o seu nome. Ele não faz mal a ninguém, mas tenho de o controlar. Se não... Se não o controlar, acontece o que aconteceu ontem. E eu peço imensa desculpa, não sabes como lamento.
Olhei para a cadeira onde pelos vistos tinha passado a noite toda amarrada e finalmente consegui falar.
- Tem uma maneira estranha de mostrar a sua preocupação! - a minha voz soou-me incrivelmente rouca. Mais uma vez me questionei há quanto tempo estaria aqui.
- Ah, mas enganas-te! Era a única forma que tinha de tomar conta de ti e garantir que o Heitor não se aproximava, mesmo eu virando costas. Conseguia ouvir o sino a tocar na cozinha, que foi o que aconteceu, ao passo que se estivesses nos quartos, lá em cima, não ouvia cá em baixo. Agora vai, e peço-te por tudo para não apresentares queixa à polícia. Por favor...
O medo nos olhos do idoso sensibilizaram-me e tentei racionalizar o que tinha acontecido, por mais difícil que fosse. Concordei. Ao passar a soleira da porta ouvi no andar de cima uma persiana a ser fechada violentamente. Apalpei os bolsos para saber se tudo estava ali - telemóvel, chaves de casa, chaves da mota, documentos. Parecia que sim. Fui para casa.
Começou cerca de duas, três semanas depois. Primeiro, foram as cartas. Recebia constantemente pequenas cartas, sem remetente e sem selo, com pequenas mensagens, umas mais carinhosas, outras mais gerais. Alguém as andava a meter na minha caixa de correio, e eu não sabia quem era. Depois foram as flores, que me iam entregar a casa. Flores, peluches, chocolates, pequenas prendas. E nunca consegui descobrir de quem eram. Tinha uma secreta esperança que fosse de Sandro, o colega de trabalho com quem eu sonhava há uns meses. Mas depois as oferendas começaram a ficar mais violentas, pelos vistos pela falta de resposta. Mas eu não sabia a quem responder! Comecei a notar em casa pequenas coisas fora do sítio, e foi uma questão de dias até começar a encontrar post-its espalhados por sítios insuspeitos. Post-its não escritos por mim. Comecei a viver numa espiral de medo, mas as coisas aconteciam sempre, cada vez com mais frequência e agressividade. A identidade do outro lado permanecia um mistério.
Até há cerca de uns minutos atrás. Entrei em casa já de noite e ao acender o interruptor, a luz nada fez. Liguei e apaguei uma série de vezes e nada. À medida que os meus olhos se adaptavam à escuridão, comecei a ver uma estranha forma no sofá da sala, a ganhar dimensão, a crescer, a levantar-se... e contra a luz da janela vi Heitor, as suas formas rudes e desproporcionais a arrastarem-se na minha direcção. O pânico tomou conta de mim e comecei a recuar, mais depressa do que contava. Tropecei nos meus pés e caí escadas abaixo, lance atrás de lance. Agora estou aqui deitada sem me conseguir mexer, e ouço os barulhos inconfundíveis dos seus passos a descer as escadas, na minha direcção. Não sei o que me vai acontecer, e rapidamente olho à minha volta. 6º andar. É neste andar que o elevador está vedado com fitas, pois a porta abre-se para o poço do elevador e ele está lá em baixo, parado, sem funcionar. Os seus passos aproximam-se mais e a sua respiração entrecortada chega-me cada vez mais próxima aos ouvidos. Tento-me arrastar em direcção à porta do elevador. É agora ou nunca.

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