O Rei Veado, de Marion Zimmer Bradley - Opinião [Saída de Emergência]

abril 16, 2014

O Rei Veado (As Brumas de Avalon, #3)
Título: O Rei Veado
Título Original: The King Stag
Série: As Brumas de Avalon
Autora: Marion Zimmer Bradley
Editora: Saída de Emergência
Ano de Publicação: 2012
Número de Páginas: 272

O terceiro volume de As Brumas de Avalon só ficou um dia na estante, em descanso. Não consegui resistir a pegar-lhe por mais do que isso, tamanha a ânsia que tinha em continuar a explorar este universo brilhantemente criado por Marion Zimmer Bradley.

Com vem a ser habitual, O Rei Veado veio de encontro às minhas expectativas e é já com uma certa tristeza que escrevo este comentário, por saber que é o começo do fim, que o próximo volume encerra esta saga (sim, eu sei que há mais, mas penso que vocês compreendem o que quero dizer com isto). A nível de história, há um amadurecimento brutal na narrativa, que caminha lentamente para atingir o seu clímax, penso eu, na última parte, O Prisioneiro da Árvore. Neste terceiro livro temos uma consolidação de tudo o que foi surgindo anteriormente na narrativa: o papel de Morgaine, a posição de Arthur, a guerra entre religiões, mais vincada do que nunca. E quando cheguei ao fim do livro senti-me ansiosa por ler a continuação, e ao mesmo tempo com um certo desgosto, pois o fim aproxima-se...
Neste livro temos a morte de uma personagem, fulcral na história, e que eu pensava que seria eterna. Mas não. A sua morte é tão inesperada, tão rápida, que fiquei uns segundos parada na página, a tentar compreender o que se passou. Quem, como, porquê, quando? Li e reli as frases anteriores e não me queria acreditar. Não. Não aquela personagem! Uma reviravolta que eu não estava nada à espera, um momento que ensombrou o resto da história. Um facto que pode ter contribuído para considerar este volume mais sombrio é a falta que Avalon lhe faz. O Rei Veado é mais centrado nas cortes humanas do que na magia de Avalon, e esse lado encantado da história fez-me falta. No entanto, este pormenor é facilmente relegado, com a qualidade da trama, que de página em página nos rouba mais a atenção (e quase que me atrevo a dizer a alma, tamanha a magnificência do livro...). 
A minha admiração por Morgaine aumentou. Pensava que era uma personagem perfeita, mas o que ela passa neste livro... completa-a. A sua perda, a sua busca, o seu rumo. A sua consciência... tudo em Morgaine é fascinante, e não consigo lê-la sem me sentir embevecida. Marion Zimmer Bradley conseguiu criar uma personagem que me acompanhará para o resto da vida. E, pelo outro lado, criou outra perfeitamente detestável... Se com A Rainha Suprema já não gostei de Gwenhwyfar, então aqui... é aquele ódio de estimação. Uma personagem complexa e muito bem trabalhada, mas tão irritante, tão oca, que me apetecia bater-lhe de cada vez que abria a boca. Entrar nas páginas e no tempo e simplesmente... tirá-la do trono. A sua maneira de ver o mundo é extremamente enervante. Só posso esperar que tenha o que merece no último volume.
Como seria de esperar, nada tenho a apontar de negativo neste livro. Mesmo as coisas que me irritam, como a presença de Gwenhwyfar ou a submissão de Arthur, são imprescindíveis.

O Rei Veado é tão fantástico, brilhante e viciante como a restante saga de As Brumas de Avalon. Comecei a ler muito lentamente, e quando dei por mim estava na página cem. Obriguei-me a parar para poder escrever a rubrica, e mal a escrevi, dediquei-me novamente ao livro. Três dias, e já foi muito. Aconselharei sempre a leitura das Brumas. Deixou de ser uma leitura obrigatória para ser uma leitura de culto. Arrebatadora!

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2 comentários

  1. "Aconselharei sempre a leitura das Brumas. Deixou de ser uma leitura obrigatória para ser uma leitura de culto. Arrebatadora!"

    Olá,

    Tens tudo dito, agora falta o final, vai ser estranho, mas acredito que gostes ;)

    Bjs e boas leituras

    ResponderEliminar

Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.